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Creuza Pereira de Lima

1932 - 2020

Tete gostava de jogar sueca com as amigas e de perder os brincos pela casa.

Sabe quando a gente tira o brinco da orelha e ele some misteriosamente, reaparecendo um tempão depois? Creuza entendia bem desses pequenos sumiços. Era brinco, colar, dinheiro... Os pertences viviam dando aquela fugidinha dentro de casa, mas sempre reapareciam quando ela não estava mais procurando.

Mas, não se engane! Creuza podia perder de vista suas bijus, mas jamais tirou os olhos dos oito filhos: seis meninas e dois meninos, que criou sozinha e com muito, mas muito amor. Amor que ultrapassou gerações, multiplicando-se com a chegada dos netos e bisnetos.

Mulher guerreira, mãe dedicada e fã de um bom jogo de sueca com as amigas, Creuza amava estar sempre acompanhada e curtia matar o tempo livre vendo fotos no Facebook.

Amável, carinhosa e prestativa, Creuza com certeza entrou para o time dos melhores anjos da guarda.

Espalhe seus brincos por onde estiver, Creuza. E tenha certeza que jamais ficará sozinha – o amor de seus filhos, netos e bisnetos seguirá forte e acompanhando a eterna Tete/Quezinha/Fofinhaaa.

Creuza nasceu em Alagoa Nova (PB) e faleceu em Osasco (SP), aos 87 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Creuza, Fátima. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Maria Luiza Gonçalves, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 1 de junho de 2020.