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Daniela Teodózio Tabajara

1990 - 2020

Partiu sem a alegria de ter a sua própria terra.

Daniela tinha um sonho: que seu povo tivesse a própria terra.

Embora seja um povo originário do Brasil, que estava aqui muito antes da chegada de Pedro Álvares Cabral, parte dos Tabajara ainda não tem terras demarcadas.

A vida de Daniela, assim como a de seus antepassados, foi repleta de migrações forçadas, nas diversas vezes em que foram desterrados por fazendeiros e grileiros, mas nem isso tirava de Daniela o seu bom humor. Quem a conhecia, conta que estava sempre vestindo um sorriso. E que sorriso! Largo, com jeito de menina por causa do aparelho fixo.

Daniela também era reconhecida pela sua dedicação ao trabalho. Cuidou de muitas pessoas como Agente Indígena de Saúde. Pena que, quando adoeceu, não teve a mesma sorte de seus pacientes. Foi transferida de sua cidade para um hospital em Monsenhor Tabosa, mas seu quadro continuou a piorar. Teve que ser transferida para um hospital maior, em Sobral, mas no caminho a ambulância sofreu um pequeno acidente e Daniela não chegou a tempo de ser tratada.

Tinha apenas 30 anos quando se foi, deixando o marido, Maurício dos Santos.

"Dani não morreu, abraçou uma nova vida e deixou muitas saudades em toda sua família, na aldeia onde vivia e em todas as pessoas que tiveram a honra de conhecê-la"

A terra que não tinha aqui, tem agora: eterna e povoada por seus antepassados.

Daniela nasceu em Monsenhor Tabosa (CE) e faleceu em Monsenhor Tabosa (CE), aos 30 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo marido de Daniela, Maurício dos Santos. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Gabriela Veiga, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 25 de agosto de 2020.