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Durci Nei Marques Rocha

1951 - 2020

Para ela, mulher deveria aprender a dirigir por necessidade. Incentivava a liberdade de ir e vir.

As peças de crochê vão lembrar o talento de Dudu para os trabalhos manuais, que se estendia aos cuidados com cabelo e unhas, e os deliciosos biscoitos de nata.

Chás de camomila, erva-mate ou hortelã no meio da tarde terão cheiro de sua preferência por eles, em vez do café.

Quando tocar Eleanor Rigby, vão comentar que era a música que ela mais gostava, da banda que tanto ouvia, os Beatles.

A oferta de uma carona vai ser sempre um gesto seu, entre tantas formas de zelar. Costumava perguntar à sobrinha se ela já havia aprendido a dirigir, lembrando a liberdade de se locomover.

Quem aprendeu a ler a palavra de Deus com ela, permanece grato. Testemunha de Jeová, a dedicação ao ofício a fez conhecer muitos países. Entre as 500 pessoas que compareceram ao seu velório virtual, estiveram canadenses, franceses e paraguaios.

Houve quem ela ensinou a amar. Sua paixão mais recente tem nome: Lara, a bisneta de 5 meses. Mas aguardava reencontrar o amor da vida, o já falecido esposo Florisval Rocha, a quem apelidou de Bé, o Betinho, por idolatria ao cantor Roberto Carlos. Com ele, teve os filhos Alexandre, Celso e Fernando.

Foi mãe também para o sobrinho Adriano, que perdeu a mãe aos 20 anos. Juntos, Dudu e Rocha foram exemplo de pessoas que nasceram uma para a outra.

Expansiva e de riso fácil, sempre expressou seu amor. Deixou para a sobrinha como últimas palavras: “eu te amo”.

Durci nasceu em São Paulo (SP) e faleceu em Caçapava (SP), aos 69 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelos sobrinhos de Durci, Luciene e Adriano. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Priscila Kerche, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 18 de julho de 2020.