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Eduardo Rodrigues de Mesquita

1940 - 2020

O inspirado professor cearense que escrevia poemas até em guardanapos.

Um homem que batalhou muito para estudar e sempre honrou o seu trabalho.

Foi funcionário do INSS por alguns anos e depois, seguiu carreira de professor. Começou no Colégio Providência, em sua cidade natal. Depois, foi trabalhar na faculdade URCA, na cidade de Crato, de onde foi transferido para a universidade UVA, de Sobral. Muito querido por onde passou, amado por seus alunos. Mesmo depois de se aposentar, continuou a trabalhar com educação. Criou a escola profissionalizante CIEP, em 2008, um sonho realizado, que segue agora, sob o comando dos filhos.

Foi casado por cinquenta e quatro anos com Enilda Porfírio, também professora, e dessa amorosa união nasceram: Adriana, Fabrizio, Adrizio e Carlos Eduardo. A família vinha em primeiro lugar, ele estava sempre disponível para dar um bom conselho e estimulava a união entre todos. Nunca almejou ser rico, sua maior realização era ver os quatro filhos bem formados, pois isso para ele valia mais que qualquer fortuna. “Fez o possível e o impossível pelos filhos”, afirma Carlos Eduardo, o caçula, que considera o pai um herói.

O temperamento pacato não o impediu de viver a vida intensamente. Nas horas livres, o professor sempre inventava alguma coisa, nunca parava quieto, não deixava nada por fazer. Determinado, mantinha o entusiasmo e acalmava as pessoas, mesmo nos momentos difíceis: qualquer um que o procurasse em meio à tristeza ou ao desânimo saía renovado.

Para os filhos, além de pai, foi amigo e conselheiro. E deixou palavras de sabedoria registradas sem pretensão. Qualquer pedaço de papel, até um guardanapo, ganhava a graça de um poema seu quando vinha uma inspiração como essa, encontrada por seus filhos: “Certamente alguém deve sentir a lacuna que ficou do aconchego, pois a luta foi por ti, ó vida! Não mais terei o teu apego”.

Eduardo nasceu em Reriutaba (CE) e faleceu em Fortaleza (CE), aos 79 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo filho de Eduardo, Carlos Eduardo Porfírio de Mesquita. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Bettina Turner, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 20 de junho de 2020.