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Edvaldo Correia Ferro

1954 - 2021

Gostava de apelidar os mais próximos; ensinou os netos a contar e tinha uma relação especial com Alazão, seu cavalo.

Nascido e criado no sertão pernambucano, filho de Seu Zeca Cole e de Dona Helena, Edvaldo Correia foi a bondade em pessoa. Um homem honesto, trabalhador, amoroso e dedicado à família e à sua terra. Ao lado de Lourdes Cardoso, nos seus quarenta e sete anos de união, constituiu uma família com bases sólidas de amor, respeito e honestidade. Juntos, como eternos companheiros, viveram uma história que nem a morte foi capaz de interromper: menos de três meses após a partida dela, ele foi ao seu encontro.

Por trás do seu jeito tímido, havia um coração enorme. Ao lado da família, o sorriso era largo e o abraço acolhedor. Edvaldo era extremamente querido por todos ao redor e gostava de apelidar os mais próximos. Amava a casa cheia de netos e se divertia ao ensinar-lhes a falar, contar, bater palmas e imitar os animais.

Morando no Sítio São Pedro, com muito esforço, conseguiu comprar seu primeiro carro e fez dele um instrumento para ajudar o próximo, largando seus afazeres para levar aos hospitais todos os que precisavam, a qualquer hora e sem pedir absolutamente nada em troca. E assim foi fazendo amigos e conquistando diversos compadres.

Amava cuidar da terra e dos animais, em especial do seu cavalo Alazão, que o atendia de uma forma diferente e pareceu até mesmo sentir a sua partida. Costumava acordar bem cedinho para tomar um café e começar a trabalhar: seja na fazenda ou organizando os caminhões-pipa, Edvaldo era sinônimo de paciência e dedicação. Ele era repleto de força e coragem para vencer com dignidade e assim o fez.

Contra a Covid-19, lutou como um verdadeiro guerreiro. "Deu a todos nós um grande exemplo de garra e perseverança", comenta a neta Melinna. Ao longo de mais de oitenta dias de internação, Edvaldo conquistou o carinho e a admiração dos funcionários do hospital. De uma forma surpreendente, apresentou uma grande melhora antes de partir: como um milagre, para que tivéssemos a oportunidade de passar mais alguns dias ao seu lado.

Contudo, os planos de Deus já estavam traçados e Edvaldo hoje descansa nos braços d´Ele e ao lado de sua tão amada esposa Lourdes. "Um casal que nos deixa com o coração repleto não apenas de saudades, mas também de orgulho e admiração pelo exemplo que foi", despede-se a neta.

Edvaldo nasceu em Bom Conselho (PE) e faleceu em Minador do Negrão (AL), aos 66 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela neta de Edvaldo, Melinna Gomes Cardoso Ferro. Este tributo foi apurado por Lila Gmeiner, editado por Ticiana Werneck, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 3 de fevereiro de 2021.