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Élida Maria dos Santos Pereira

1953 - 2020

Conhecida como "nossa enfermeira" no bairro em que morava, sua própria casa tornava-se local de atendimento.

Conhecida como "nossa enfermeira" no bairro em que morava, a própria casa tornava-se local de atendimento. Mãe de cinco filhos biológicos e quatro adotivos, no coração de Élida havia espaço para cuidar e amar muito mais gente. Nos trinta anos dedicados à área da saúde, usava a experiência profissional para atender todos que precisassem.

Estava sempre disponível para acompanhar quem necessitasse ir ao hospital, pois não havia dia, hora ou lugar para fazer o bem.

Era a maior pé de valsa de Breves, mesmo sem nunca ter feito uma aula. Conseguia deixar todos boquiabertos quando o par era bom dançarino, mais ou menos ou ruim. A pista de dança transformava-se quando ela chegava com seu sorriso radiante e alegria. Por isso, todo mundo queria ter a honra de uma dança com Élida. A enfermeira também ocupou o posto de cantora oficial nas novenas dos santos de devoção.

Viveu muitas paixões e tinha um reencontro marcado para o final de 2020 com o grande amor de sua vida, um homem que hoje mora na França. Antes de ser hospitalizada, os dois renovaram os votos de ficarem juntos.

Forte, mantinha-se firme mesmo depois de perder o pai, a mãe e o filho mais velho, para ajudar, principalmente os netos e bisnetos, que moravam com ela. A família considera que o maior legado reside no senso de justiça, seu amor ao próximo, respeito com todos e sobre todas as coisas.

Élida nasceu em Breves (PA) e faleceu em Breves (PA), aos 66 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Élida, Andreza Silva Leão. Este texto foi apurado e escrito por Talita Camargos, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 20 de agosto de 2020.