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Firmino Rodrigues Ferreira

1969 - 2020

Menino brincalhão e risonho que vivia caçoando dos outros, tudo no melhor bom humor, tudo com muito amor.

Firmino herdou o nome do avô, mas era conhecido e se apresentava como Nino. Desde criança tinha a característica marcante de ser esforçado e determinado, sempre correndo atrás da realização dos seus sonhos e metas.

Começou a trabalhar como engraxate e, para ter seu material, pediu ajuda ao avô que prontamente construiu com orgulho uma linda caixa de madeira fornecendo também todo o material que o neto iria precisar.

Como forma de agradecimento, com o primeiro dinheiro que ganhou resolveu presentear o avô dando-lhe um chaveiro, que foi colocado no retrovisor do carro e que o avô carregava sempre consigo.

Por toda a vida trabalhou com muito capricho e esmero em todos os ambientes que percorreu, como o parque de diversões, seu primeiro emprego. Também foi chaveiro e metalúrgico (o mais querido da região, pois possuía um humor peculiar e contagiante), e, por fim, acabou proprietário de uma autoescola em Poá, uma cidade na Região Metropolitana de São Paulo, tornando-se um empresário bem-sucedido.

Constituiu uma família extremamente unida com a esposa. Estavam juntos há anos, já haviam completado bodas de prata! Seus filhos eram de coração e, de quebra, ainda era o paizão de todos os sobrinhos. As meninas, ele carinhosamente chamava de amendoim. E os apelidos eram sempre no aumentativo, para combinar com o tamanho do seu amor: Amandão, Renatão.

Os sobrinhos eram loucos por ele e o amavam incondicionalmente. Os pequenos, como o Lucas, afirmam que tio é a estrelinha que mais se mexe no céu. E olhe que deve ser verdade, tendo em vista toda a sua alegria, hein Firmino?! Era amante de carros, mas não largava o seu fusquinha vermelho e antigo.

E como deixar de mencionar as ligações? A mãe jamais vai se esquecer principalmente da sua frase de efeito no final: “Já falei o que eu queria, vou desligar na sua cara, hahahaha.” No final das contas, os dois caíam na gargalhada e a conversa se estendia mais um pouco; brincadeira entre mãe e filho, essa cumplicidade gostosa, dentro da qual cabe amor com bom humor.

Firmino nasceu em São Paulo (SP) e faleceu em Mogi das Cruzes (SP), aos 51 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela irmã de Firmino, Isabel Rodrigues Ferreira Sevilha. Este tributo foi apurado por Malu Marinho, editado por Emmanuelle Alves Santos, revisado por Lígia Franzin e moderado por Emmanuelle Alves Santos em 24 de dezembro de 2020.