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Henriqueta Nogueira Rodrigues

1952 - 2020

Caçula de onze irmãos, ajudava a família e era conhecida como Papai Noel pelas crianças.

A mineira de Patos de Minas nasceu da relação de Vicente e Eugênia. Além dela, que foi a caçula da família, outros dez filhos movimentavam a casa: Divino, José (o Zeca), Geralda e Augusta, já falecidos; Geraldo, filho adotado; João, Conceição, Maria (a Marinha), Maria Gontijo (a Fia) e a Neném, a mãe de Vanusa, a sobrinha que faz esta homenagem.

A infância transcorreu em Areado e em Brasilândia, nas Minas Gerais. Ainda jovem, Henriqueta, mudou-se para São Paulo, onde se formou como Técnica de Enfermagem e conheceu e casou-se com Fernando, companheiro da sua vida inteira, que sempre a apoiou em todos os momentos. Ele era eletricista de uma grande empresa. Foram apresentados por uma amiga também de Patos de Minas. As duas, moças, foram juntas para a capital paulista.

Em São Paulo, Henriqueta morou em um colégio de freiras e ali iniciou os passos da profissão escolhida. Como Técnica de Enfermagem, trabalhou na rede pública paulistana, em dois empregos. “Era uma pessoa muito esforçada, trabalhadora e querida por todos”, recorda Vanusa.

Mesmo à distância, sempre esteve atenta à saúde da mãe. Tendo perdido o pai ainda mocinha, Kety – como era chamada em São Paulo – mudou-se com Fernando para Patos de Minas “quando a mãe, já velhinha, exigia mais cuidados e carinho”, conta a sobrinha.

Os irmãos e sobrinhos – que a chamavam de Kêta – também receberam muito amor, dedicação e apoio de Henriqueta. Apoiou financeiramente irmãos quando estavam em aperto, e não deixava de ligar para todos para saber como estavam. As crianças, ela tratava como filhos que não chegou a ter. “Era considerada o Papai Noel delas”, diz Vanusa, uma das crianças que recebeu carinho e acolhimento da tia – chegando a morar com ela e Fernando em São Paulo, por mais de quatro anos, período em que a auxiliou muito também.

Ocupada, trabalhando em dois empregos, nas horas de folga Kety gostava de cuidar da casa e conviver com a família sempre que podia. “Vivia sempre numa correria, era uma pessoa inteligente, esforçada, tudo que conseguiu foi com muita garra e luta. Sempre alegre e dócil, mesmo com as dificuldades não se tornou amarga”, resume a sobrinha, enfatizando como gostaria que a tia fosse lembrada.

Henriqueta nasceu em Patos de Minas (MG) e faleceu em Patos de Minas (MG), aos 68 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela sobrinha de Henriqueta, Vanusa Viana Nogueira Godinho. Este texto foi apurado e escrito por jornalista Patrícia Coelho, revisado por Maria Eugênia Laurito Summa e moderado por Ana Macarini em 14 de fevereiro de 2022.