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José Garcia Borges Carneiro

1971 - 2020

A fachada séria escondia doçura e generosidade.

No calor de Tocantins, o “nosso careca de óculos atrás da mesa” inspirava respeito – tanto que chamavam-no de “professor Garcia”. Sua fachada séria, porém, “era só casca”, conta a amiga e colega Damathyellen.

“Não fazia distinção de pessoas por cor, classe ou credo, talvez por isso faça tanta falta.” Sua empatia era tal que “conhecia todos os funcionários por nome e sobrenome, os alunos e ex-alunos, os filhos e netos deles”.

Trabalhando há vinte e cinco anos na mesma empresa, José era doce no trato e estava “sempre disposto a ajudar quem precisava, mesmo os que não conhecia, sem esperar o menor reconhecimento”, continua Damathyellen.

Entre seus prazeres estava preparar um bom churrasco e servir todos os convidados. E fazer cavalgadas que traziam à memória a sensação da “infância na roça, de cujas histórias ele se orgulhava de contar”, relembra a amiga.

Sua esposa, Marlucia, diz que "ele era o homem, o esposo, o pai que qualquer mulher gostaria de ter". "Todos os dias", prossegue ela, José "levantava cedinho, preparava meu café e levava até a minha cama". Este era o seu segundo casamento e o casal não teve filhos. "Mas daí veio uma netinha que ele dizia ser a filha que Deus deu pra gente", conclui Marlucia.

José nasceu em Babaçulândia (TO) e faleceu em Araguaína (TO), aos 48 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela amiga e pela esposa de José, Damathyellen Ramos e Nunes e Marlucia Borges. Este tributo foi apurado por Samara Lopes, editado por Joaci Pereira Furtado, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 27 de dezembro de 2020.