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José Sévio Meneses Oliveira

1949 - 2020

Amava filmes, mas muito mais seus filhos e netos! Deles foi: exemplo, proteção, alegria, amparo e calmaria.

Esta é uma carta aberta da filha Karen para o seu pai, José:

"Pai

A você, que tantos filmes amava, eu dedico esse texto, o nosso filme como pai e filhos, cujo título chamei de: "Um herói às avessas".

O meu Pai era herói
Mas não era aquele herói que usa capa. O meu herói usava uma samba canção e saía desfilando, elegante, por aí.

O meu pai herói não lutava com armas e sim com ferramentas de todos os tipos, para nos tirar de qualquer sufoco.

O meu pai herói não tinha poção mágica, mas usava um perfume inebriante, que anunciava de longe a sua chegada.

O meu pai herói não era valente, pelo contrário, trazia sempre mansidão e calmaria.

O meu pai herói não brigava com os inimigos, mas ai daquele que não valorizasse seus filhos.

Meu pai herói era nosso fã número 1. Sentava na primeira fila das arquibancadas para ver o gol do seu campeão favorito. E, se não tivesse medalha e troféu à altura, ele mesmo comprava.

Meu pai herói não esbravejava palavras fortes, não ofendia, não gritava. Ele preferia arrancar sorrisos, mesmo que com piadas já contadas várias e várias vezes, ou com suas frases e apelidos inventados.

Meu pai herói me fez acreditar, na minha infância, que ele era Paul McCartney. Claro! Ele tinha que ser o mais bonito dos Beatles.

Meu pai nos dizia que não era pai, era irmão. O irmão 'tetéu'. Talvez por que, ao admirar tanto a nossa mãe, ele se sentisse mais confortável nessa posição.

Meu pai herói não era, nunca foi, ele sempre será.

Será meu anjo, quando eu estiver em apuros.

Será a minha estrela no céu, a guiar meus caminhos.

Será meu refúgio, quando a dor me vencer e eu me afundar em lágrimas.

Será meu amparo, quando eu achar que não vou conseguir.

Será meu intercessor junto a Deus, diante das minhas escolhas.

Sempre será meu amigo e conselheiro, quando a vida me colocar à prova.

Ele foi, ele é e sempre será aquele que me faz acreditar em que tudo eu posso.

E, com seus superpoderes, mesmo diante de tanta dor que agora eu sinto com a sua partida, ele já sussurrou no meu ouvido: 'Estou bem, fique bem'.

Te amo até o infinito."

José nasceu no Crato (CE) e faleceu em Fortaleza (CE), aos 70 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de José, Karen Andrade Meneses. Este tributo foi apurado por Viviane França, editado por Denise Pereira, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 11 de julho de 2020.