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Luiz Arduini Júnior

1962 - 2020

A alegria dele era agradar a família, seu maior amor.

Era metalúrgico aposentado e também cozinheiro, churrasqueiro, entusiasta por viagens e um contador de histórias profissional.

Porém, nada o descreveria melhor do que um pai, avô e marido, que sempre esteve pronto para cuidar dos seus.

Dedicou-se, com todo o coração, à Marli, sua eterna namorada, com quem foi casado por 39 anos. Era seu companheiro nas tristezas, mas também nas risadas. Faziam duetos: ele no trompete, ela no órgão. Durante o tratamento do câncer da esposa, foi o parceiro que cuidou e amparou. Raspou o cabelo junto a ela, lado a lado enfrentaram o momento.

Sempre estava disposto a ajudar ou a fazer um agrado aos três filhos.

Habilidoso na cozinha, não era surpresa encontrá-lo preparando uma receita para algum deles que, por um acaso, tivesse comentado o que estava com vontade de comer. Nada passava despercebido, e todo pequeno gesto ou surpresa ganhava significado de carinho e atenção.

Para os quatro netos nunca faltaram casos da infância, pegadinhas e piadas. Ainda que fizesse uma gracinha — como colocar um copo com café na geladeira, para ser confundido com coca-cola — sempre tinha algo para arrancar risadas; além de gostar de levá-los para passear. Desenvolveu uma ligação especial com cada um.

Ajudava todos ao seu redor com o que estivesse ao seu alcance: oferecendo carona, fazendo uma compra, sendo companhia ou dando um conselho. Ser gentil, prestativo e atencioso com o próximo, além de uma das maiores lições que deixou aos filhos, foram as características que o fizeram querido por muitos e o tornaram uma das maiores paixões entre a família, pela qual também era muito apaixonado. Aliás, a viagem realizada com todos juntos, para Santa Catarina, foi unir um hobby e um amor, pois vê-los felizes é o que lhe fazia feliz: preocupava-se com eles, e seu maior medo era que algo lhes acontecesse.

Zinho foi o carinhoso apelido que recebeu da esposa. Apesar do diminutivo, seu traço mais marcante foi, sem dúvidas, o de ter um enorme coração.

Luiz nasceu em Votorantim (SP) e faleceu em Votorantim (SP), aos 57 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo filho de Luiz, Elidan Felipe. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Stela Maris, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 11 de julho de 2020.