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Maria Augusta Silva dos Anjos

1969 - 2021

Com fé e coragem, nunca permitiu que os obstáculos fossem maior que a sua vontade de ser feliz.

A vida de Augusta foi cheia de obstáculos e o que mais a sobrinha Alessandra admirava nela, era a vontade de viver e a coragem para enfrentar tudo o que ela passava. "Eu sempre a vi sorrindo. Passei a adolescência toda perto dela e a gente se divertia muito juntas, porque ela era muito feliz, apesar de tudo. A vida dela foi um milagre, ter vivido tanto foi um milagre. Por não ter tido filhos, ela cuidava dos sobrinhos. Ela é muito querida por vários sobrinhos que a consideram como uma segunda mãe." Alguns desses sobrinhos chamavam ela de tia Gute. Para a família, Maria Augusta amava cozinhar, seu vatapá era delicioso, ninguém faz igual.

Nasceu com uma cardiopatia grave. Aos cinco anos desmaiava sempre que tentava andar, devido à fragilidade de seu coração. Com 22 anos, fez uma cirurgia experimental para colocar uma válvula cardíaca, que a permitiu ganhar mais tempo de vida. "Graças a Deus" agradece a sobrinha.

Dezesseis anos mais tarde, Augusta precisou se mudar para São Paulo à espera de um doador. Ficou na fila por dois anos, com otimismo, em suas orações, pedia para Deus lhe dar um coração.

E então, no dia 20 de outubro de 2008, dia do seu aniversário, Augusta recebeu um novo coração! Desse dia em diante, sua qualidade de vida melhorou significativamente.

Agradecida pela vida, sempre juntava um pouco de dinheiro para mandar, no Natal, brinquedos e material escolar para crianças carentes de São Sebastião da Boa Vista. Mesmo quando retornou ao Pará, não deixou de enviar os presentes pra comunidade.

Aproveitou a vida dela da melhor forma possível, realizou sonhos, deixou marcas. "Ela deixou muitos ensinamentos e muitas saudades. Sou grata pelo carinho que ela tinha pelas minhas filhas, por ter ensinado a mais velha a cozinhar e várias outras coisas. Sei que ela é uma pessoa que nunca vai ser esquecida por elas, porque fez parte da infância. Ela era muitíssimo amada” despede-se a sobrinha.

Maria nasceu em São Sebastião da Boa Vista, no Marajó (PA) e faleceu em Parauapebas (PA), aos 51 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela sobrinha de Maria, Alessandra Diniz dos Anjos. Este texto foi apurado e escrito por Ozaias da Silva Rodrigues, revisado por Emerson Luiz Xavier e moderado por Rayane Urani em 28 de maio de 2021.