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Maria Ilda Barbosa

1942 - 2020

Fazia melhor café e bolo de milho da rua Santa Quitéria.

Dona Maria era uma senhora pequenina e com um sorriso que iluminava o ambiente todo. Sua marca registrada era pentear o cabelo branco como algodão para trás da orelha. Maria apreciava a música sertaneja raiz cantada por Milionário e José Rico, João Mineiro e Marciano, Trio Parada Dura, entre outros.

Casou-se muito jovem com um moço chamado Vicente e dessa união foram gerados doze filhos: Claudio (in memoriam), Claudiomar, Euzimar, Claudecir, Claudemir, Josismar, Claudenir, Maria Conceição, Claudeir, João, Edinalva e Ozilma. Com o falecimento precoce do esposo, teve que cuidar sozinha dos filhos, e sempre se orgulhou de tê-los ensinado e educado para serem pessoas boas e de bem.

Cuidar dos outros foi sua grande missão de vida. Dona de um coração único e precioso, tinha um desvelo todo especial com os filhos, os netos, os bisnetos, as noras, os genros, amigos e vizinhos, recebendo em troca muito amor por parte de todos. De modo carinhoso, tinha o hábito de chamar os netos por apelidos: princesinha, príncipe, pretinho e branquinha de vó ou de bisa... A neta Josislaine, a quem Dona Maria Ilda carinhosamente chamava de “Laninha, minha princesinha!”, relembra que a avó sempre a pegava no rosto, fazia carinho e parava um bom tempo, admirando-a em seu modo de falar, transmitindo uma sensação de encanto na face.

Ao longo da vida ajudou muitas pessoas que precisavam, mesmo quando não podia. Era muito religiosa e cheia de espiritualidade. No pouco, tinha muito. "O Senhor Deus sempre amou e honrou a história de vida da minha avó e fez questão que nos deixasse com a melhor parte dela: sua honestidade e simplicidade", conta a neta Josislaine. De modo simples e sábio, sempre falava de Jesus. Buscou, todos os dias, fazer da sua vida um lindo e cuidadoso testemunho do amor de Deus.

Dona Maria era uma mulher muito amável e que gostava de acolher a todos. Cozinhava para demonstrar seu afeto e amor. Os familiares se deliciavam com as iguarias culinárias preparadas por ela, como o famoso biscoito de polvilho, o arroz e o frango cozido, que ela preparava sempre com muito amor, além do bolo com café. Para ela era motivo de alegria estar sempre em união com todos da família e os vizinhos. O seu exemplo de generosidade e amor permanece vivo em cada um que teve a felicidade de desfrutar de sua convivência.

Maria nasceu em Ataléia (MG) e faleceu em São Miguel Paulista (SP), aos 78 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela neta de Maria, Josislaine Gomes. Este tributo foi apurado por Andressa Vieira, editado por Ana Clara Cavalcante, revisado por Fernanda Ravagnani e moderado por Rayane Urani em 31 de agosto de 2021.