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Paulo José da Silva

1969 - 2020

Amigos o chamavam, carinhosamente, de Paulão — O durão, do coração de seda.

O verdadeiro herói de seus filhos Alexandre e Ricardo.

"O amor da minha vida, minha alma gêmea", lembra a esposa. Juntos, passaram por muitas lutas, conquistas, alegrias e aflições. Até mesmo no adoecer, permaneceram unidos. Os destinos, no entanto, foram diferentes. Por mais de 30 anos, foram extremamente felizes.

Esposo dedicado e pai exemplar, Paulo era amigo, era cúmplice, era vida! E deixa um imenso vazio em quem fica. Mas seu legado de amor é eterno, assim como as lembranças da pessoa maravilhosa que foi, guardadas no coração de cada um que o amava.

Da esposa, Neuza.

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Pai, vovô, esposo, companheiro e amigo. Um ser humano repleto de luz, dos mais incríveis que já pisou na Terra, estava sempre com um sorriso no rosto e presente, por quem quer que fosse.

O amor da vida de Neuza. Alma gêmea que caminhou ao seu lado por mais de 30 anos.

De seus familiares, Neuza e Alexandre.

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Os plantões nunca mais serão os mesmos sem Paulo. Sem seu sorriso, sua alegria, seu companheirismo, sua amizade e colaboração. “Quem vai sentar ao meu lado e falar com entusiasmo da família? Enaltecer a esposa? Ajudar sem que eu pedisse? Quem vai ficar a noite toda ao meu lado, fazendo companhia a mim e me defendendo como um irmão cuidadoso?”, pergunta Dircelia, que diz ter sido um privilégio contar com sua amizade.

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O que chamava atenção em Paulo era o amor que nutria pela esposa Neuza. “Pareciam um casal de adolescentes”, conta a amiga Valéria. No trabalho, ele sempre chegava muito cedo e, se por acaso parecesse bravo, Valéria sabia bem como mudar o humor do amigo. Era só perguntar de Neusa. “Daí ele amolecia-se todo. Confesso nunca ter trabalhado ao lado de alguém que falasse tanto da esposa e declarasse seu amor dessa forma”, diz ela.

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"Deixa eu perguntar para a Dona Neuza", era o que Paulo respondia diante de qualquer esboço de combinação de encontro. A amiga Aline tinha Paulo como um excelente profissional, comprometido, espirituoso, e dono dos melhores conselhos que alguém podia dar. “Quem o conhecia minimamente sabia o quanto era apaixonado pela esposa e dedicado à família”, diz.

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É assim que Maurício se lembrará de Paulão, um cara super do bem, correto, “sério e, ao mesmo tempo, divertido!”, define o amigo.

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Paulão era um grande homem, muito família, apaixonado pelos filhos Alexandre e Ricardo, e pela esposa, linda pessoa, Neuza Morais. Helena trabalhou na casa da família há 27 anos, mas nunca esqueceu o carinho com que foi tratada por todos. “Só tenho a agradecer pelo apoio que eles me deram. Eu estava grávida, eles me acolheram e cuidaram de mim. Foi ele que me levou para o hospital para ter meu filho”, diz ela.

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Um genro maravilhoso, de uma paciência do mundo e sorriso largo, ajudava a mim e Getúlio sempre que precisávamos. Na primeira vez que me viu, ele disse: "Dona Eva, vou casar com a sua filha". Não só casou, como a fez muito feliz.

Lembro quando foi comigo no cartório, sem pressa nenhuma, e depois foi me levar em casa. Só deixei ir embora depois de almoçar, foi nossa última refeição juntos. Ainda não acredito que ele partiu.

De sua sogra, Eva Maria.

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Ser humano incrível, que não media esforços para ajudar ninguém.
Amava sua esposa e filhos, mais que a si mesmo, não media esforços para que todos estivessem bem, nem que pra isso tivesse que dar umas broncas.

Melhor sogro que eu poderia ter, melhor avô que poderia ser.

Saudade é o que nós define hoje.

De sua nora, Tais Alves Santos e Silva.

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Paulo Careca, era assim que eu o chamava. Nos conhecemos há mais de cinco anos, nos plantões diurnos da recepção do Campão. Enfrentamos muitas coisas lá e ele sempre dizia que era bom ter um homem trabalhando na recepção, para inibir quem aparecia querendo intimidar, principalmente as mulheres colegas de trabalho. Paulo era amigo, protetor e conselheiro. Tá difícil entrar no setor e não lembrar dele falando das séries de TV, dos filhos, do neto que vai chegar e da Dona Neuza. Saudades, meu amigo.

De sua amiga e colega de trabalho, Angelica Barbosa.

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Meu pai era fanático por HQ e nos ensinou a gostar de heróis que usam máscara e capa. Através dele, pude perceber que o maior herói de todos estava na vida real.

Ele demonstrou que ser líder é muito mais do que dar ordens: honra e honestidade são essenciais. Acima de tudo, demonstrou que ser um herói de verdade é proteger e cuidar da própria família. Então, minha inspiração nunca foram HQs, policiais ou bombeiros. Sempre foi meu pai.

Se o seu sonho de herói era voar, acredito que se realizou: agora, ele é um lindo anjo! Eu te amo, paizão!

De seu filho, Ricardo.

Paulo nasceu em São Paulo e faleceu em São Paulo, aos 51 anos, vítima do novo coronavírus.

História revisada por Ticiana Werneck, a partir do testemunho enviado por familiares e amigos , em 3 de maio de 2020.