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Sandro Rogério Melros de Oliveira Rios

1969 - 2021

Se importava tanto com pessoas, que liderou o desenvolvimento de um aplicativo para ajudar mulheres vítimas de violência.

Sandro foi o grande amor da vida de sua esposa, Fernanda. A princípio, ele era apenas o amigo com quem trocava mensagens e risadas nos intervalos da faculdade. Foi em uma viagem de pós-graduação a Juazeiro que Fernanda percebeu, inicialmente temerosa, o quanto estava apaixonada ele. Entre conversas leves e cheias de entusiasmo pela vida, Sandro acabou por conquistá-la. Quando percebeu o que sentia, seu primeiro pensamento foi: “Não acredito!” Sentiu medo, o que é natural, mas felizmente a coragem venceu esse receio e ela pôde partilhar a vida com Sandro.

Desse amor nasceu a filha Sofia, mas Sandro sempre fazia questão de dizer tinha duas filhas: Maria Fernanda, fruto do primeiro casamento de sua esposa, foi amada de maneira sem igual por ele, que participou de sua vida desde os cinco anos. “Ele tinha o sonho de ser pai e me sinto honrada por ter feito parte desse sonho”, diz Fernanda, que carrega consigo o amor de Sandro, e o transmite em dose dupla para as filhas.

Apaixonado pela educação, tornou-se advogado e professor. Amava ensinar e aprender com seus alunos. Era um homem digno, que se preocupava com todos e sempre tentava ajudar da melhor forma. Sentia a dor do outro como se fosse sua. Sempre movido a ajudar o próximo, desenvolveu um aplicativo junto com alunos do Centro Universitário Cesmac. O aplicativo, chamado NÃO, ajuda mulheres vítimas de violência.

Em Palmeira dos Índios, cidade onde morava, foi criado pela prefeitura o Prêmio de Fomento às Artes "Escritor Sandro Melros", em sua homenagem. O intuito dessa premiação é apoiar o setor artístico e os agentes culturais do Município.

Sandro era vida. Sandro era dedicação. Sandro era alegria. Ele era amor. E é assim que sua família se lembrará dele.

Sandro nasceu em Major Izidoro (AL) e faleceu em Palmeira dos Índios (AL), aos 52 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela esposa de Sandro, Fernanda Ferraz. Este texto foi apurado e escrito por jornalista Lívia Rebeca Silva Tenório, revisado por Maria Eugênia Laurito Summa e moderado por Rayane Urani em 12 de janeiro de 2022.