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Sérgio Armando de Sá e Benevides

1945 - 2020

O professor-doutor que adorava dançar, cantar e encantar.

Em julho, Sérgio faria 50 anos de casado com Maria Inês. Já tinham até reservado a missa. A religiosidade de Maria Inês tem a feito superar a saudade. Diariamente, ela reza. Antes, pela cura do marido. Agora, para ampará-lo na vida eterna. "Ele foi o melhor marido do mundo. Fez de mim uma rainha", diz Maria Inês.

O casal tinha quatro filhos e onze netos. Um dos dias mais felizes na vida de Sérgio foi quando inaugurou sua casa de praia no litoral de Aquiraz, grande o suficiente para abrigar toda a família.

A alegria dele era viajar. A próxima viagem estava reservada: faria um cruzeiro para as Ilhas Gregas. O cunhado Paulo Ernesto jamais esquecerá uma viagem que fizeram juntos, nos idos dos anos 80, quando andaram por quase um mês pela Europa.

Ele era fascinado por música. Frank Sinatra era seu ídolo, tinha muitos vinis. Ele próprio ia ao microfone, cantando nas missas da igreja, e era muito elogiado por isso. Sua paixão influenciou o filho Paulo José, cantor profissional.

Sérgio também dançava. Valsa e tango eram com ele. Na festa de 15 anos da neta Carolina, ele dançou valsa com ela e exibiu toda a sua técnica.

Engenheiro, possuía mestrado e doutorado em Engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisava sobre dimensionamento de pavimentos. Trabalhou no Departamento de Engenharia de Transportes, e foi, por muitos anos professor-doutor da Universidade Federal do Ceará.

Sérgio nasceu em Fortaleza (CE) e faleceu em Fortaleza (CE), aos 74 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo cunhado de Sérgio, Paulo Ernesto Saraiva Serpa. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Ticiana Werneck, revisado por voluntário e moderado por Rayane Urani em 26 de maio de 2020.