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Telma Teixeira da Silva

1967 - 2020

Mãe adolescente, amou seis filhos e nove netos. Levou a vida com leveza para combinar com seus pés de valsa.

“Té foi a pessoa mais alegre e forte que conheci em toda a minha vida”, diz Daniele, a primogênita dos seis filhos de Telma. Ela tinha como valores principais da vida seguir em frente com sabedoria e dignidade, “sem passar por cima de qualquer pessoa”, lembra. Telma foi mãe de Daniele aos 16 anos, tendo sido acolhida pelos pais, Francisco e Adelaide, na gravidez adolescente. Do pai, camelô, ela foi o braço direito. Trabalhando, a mãe de Daniele criou outros cinco filhos: Rafael, Gustavo, Sabrina, Bruna e Gabriel. A filha conta que Telma passou por momentos difíceis, sem abandonar sua alegria contagiante, não deixava transparecer a tristeza mesmo nos piores momentos.

A mãe jovem cultivava amizades e adorava uma festa, em casa ou onde pudesse dançar. Daniele faz uma confissão. “Eu tinha até ciúme de ver a mãe dançar, chegava a dizer pra ela que não precisava tanto...”. A filha, dezesseis anos mais jovem que a mãe, era companheira em algumas baladas, “do samba ao funk, ela amava dançar”. Em casa, a família costumava se reunir e festejar. E a festa só começava quando Té - apelido pelo qual Daniele chamava a mãe -, chegava. Ela era o espírito das reuniões familiares.

Com a alegria que animava as festas, Telma formou sua família. Uma música que ouvia todos os dias resumia a sua essência: “Ergue essa cabeça, mete o pé e vai na fé, manda essa tristeza embora”. O samba ecoa na mente dos filhos e dos nove netos: Raphaela, Eduarda, Samuel, Kimberly, Gustavo (o Tavinho), Miguel, Leonardo, Otávio e Iori. A primogênita relembra: “Ah, esses netos eram tudo pra mãe. Sabe quando um filho dizia 'mãe, tô com fome', ela respondia, 'tem pão...', era só isso mesmo". Quando os netos diziam 'vó, tô com fome', a resposta era ‘tem pão, tem bolo, quer que eu faça um suco, ou um café?'. Conversando com as irmãs, Daniele trouxe um resumo da avó Telma, que esteve presente na hora do parto dos cinco netos filhos das filhas dela. “Melhor vó do mundo, chegava a ser a maior bajuladora dos netos, de tanto amor que ela sentia”.

A afetividade é o grande legado de Telma. “De todo amor que eu tenho, metade você me deu; na lembrança do seu sorriso, seguimos nosso caminho”, enfatiza a primogênita, pedindo para lembrar a mensagem de voz enviada pela mãe: “Eu amo vocês, meus filhos, mais que tudo, e amo os meus netos mais do que a vocês, porque eu os amo demais”.

Telma nasceu em São Paulo (SP) e faleceu em Cotia (SP), aos 52 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Telma, Daniele Costa. Este tributo foi apurado por Patrícia Coelho, editado por Patrícia Coelho, revisado por Ana Macarini e moderado por Ana Macarini em 29 de abril de 2021.