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Verônica Fagundes Alves

1976 - 2020

Sua marca era a alegria e seu lema era fazer o certo.

Ninguém recebe um nome por acaso. No imaginário de algumas lendas antigas, é dito que um anjo sopra o nome da criança para os pais quando nasce um bebê; e que esse nome traz em si a essência do que a pessoa será. Talvez tenha um fundo de verdade, pois Verônica significa “a portadora da vitória” e dizem que representa também a personalidade de alguém que busca a perfeição em tudo o que faz, sentindo-se responsável pelo que está à sua volta, seja em casa, no trabalho ou na comunidade onde vive.

Coincidência ou não, essa ideia faz sentido no caso dessa mulher que era supervisora de serviços gerais, na usina de açúcar e álcool de Coruripe. Sempre vencia os obstáculos, nunca se curvou ao fracasso. Seu marido, Alex, conta que ela trabalhava com afinco, fazia tudo bem-feito, tinha como lema fazer o certo, amava cuidar da casa e da filha, Alexia Vitória, de 15 anos, orgulho de sua vida. “Era um encarne com a filha, dedicava a vida a ela, num amor incondicional”, diz.

O casal se amava muito. Unidos por vinte e três anos, ela costumava dizer que só a morte os separaria. Adoravam frequentar, junto com a filha e outros familiares, as lindas praias de Coruripe, especialmente a Lagoa do Pau e o Pontal, com corais e arrecifes formando piscinas de águas claras.

Tinha suas vaidades. Gostava de estar na moda e não deixava roupa nova guardada; produzia o melhor “look”, mesmo que fosse apenas para ir ao supermercado.

Cozinhar também era com ela mesma. Dosava os ingredientes numa alquimia que encantava todos. Os pratos que preparava eram sempre os preferidos, desde as macarronadas aos especiais caldinhos de camarão ou de feijão.

Leal, sempre disposta a ajudar, não media esforços para ver as outras pessoas felizes. Quem fala de Verônica, que era também chamada de Véu pelos mais próximos, aciona a chave da alegria. Diante dela, parecia que a tristeza não existia, seu sorriso era contagiante, seu semblante iluminado, irradiando o sentido de seu nome e de sua vida.

Verônica nasceu em Coruripe (AL) e faleceu em Maceió (AL), aos 43 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo marido de Verônica, Alex de Almeida Nazário. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Bettina Turner, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 26 de outubro de 2020.