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Weitãm Suruí

1922 - 2021

Ajudou a manter viva a memória de seu povo por quase um século.

Em aproximadamente um século de existência, a anciã da etnia Suruí de Rondônia testemunhou grande parte das mudanças sociais ocorridas desde o primeiro contato oficial com os brancos. Ela testemunhou o quase extermínio dos paiter-suruís, que passaram a ter contato com as doenças e outros males a partir de 1969.

Ela era um dos membros mais idosos da Terra Indígena Sete de Setembro, localizada no município rondoniense de Cacoal, que também é alvo de madeireiras e mineradoras.

Preocupada com a sobrevivência e o futuro do seu povo, Weitãm Suruí tornou-se conselheira e transmitia seus conhecimentos sobre a cultura suruí e as ervas tradicionais. A viúva ─ que apoiou o falecido marido na luta pela demarcação da terra indígena onde vivia ─ dedicava-se ao cuidado de quem precisasse e ajudou no tratamento do seu povo durante a pandemia de Covid-19.

Ela sempre enviava medicamentos ao neto Rubens, para quem foi uma mãe desde a infância. Antes de falecer, perdeu um dos filhos para o novo coronavírus. Deixou 63 netos e 55 bisnetos.



Sobre a etnia Suruí

Com uma população estimada em 1375 pessoas, a etnia habita os estados de Mato Grosso e Rondônia. Sua denominação paiter significa “gente de verdade, nós mesmos”. Eles falam português e a língua paiter-suruí, que pertence à família linguística mondé e ao grupo linguístico tupi. Compreendem a sociedade a partir de uma divisão em metades e utilizam uma flauta para preservar sua musicalidade.

Weitãm nasceu em Cacoal (RO) e faleceu em Cacoal (RO), aos 98 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo neto de Weitãm, Rubens Suruí. Este texto foi apurado e escrito por Lígia Franzin, revisado por Acácia Montagnolli e moderado por Aline Khouri em 29 de abril de 2021.