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Welton Goularte Terres

1940 - 2020

Um médico à moda antiga, que via o paciente como um ser integral.

Cursou medicina na Universidade Federal de Santa Maria, mas voltou para Canguçu recém-formado, pois era na sua cidade natal que estava destinado a se tornar o médico exemplar e querido de tantas famílias por quase 55 anos.

Conhecido pela comunidade toda, era clínico geral e cirurgião, daqueles que sabem olhar o ser por inteiro e tem escuta para o que realmente importa. Fez o parto de muita gente, operou, medicou, distribuiu risadas para alegrar na doença e comemorar na cura. Presença carismática, para ele não havia tempo ruim. Seguro de suas habilidades e conhecimento técnico, incluía na prática médica o dom de amenizar o sofrimento de qualquer pessoa com boas palavras.

Estava sempre disponível para quem o procurasse, não importava quem fosse, cuidava sem distinção. Era, acima de tudo, um ser humano compassivo. Foi um dos colaboradores na construção do Hospital de Caridade de Canguçu, que virou referência na região. Lá, entrava diariamente, sorrindo, brincando com todos, distribuindo abraços e bombons para a equipe de enfermagem. Vinha trazendo uma bolsa grande e o tilintar do molho de chaves pendurado na cintura, sinalizando que dentro de alguns minutos estaria de prontidão para atender seus pacientes.

Era viúvo e deixou quatro filhos: Lara, Márcia, Welton Terres Filho e Letiane.

Sua morte gerou comoção geral na cidade, uma perda irreparável envolta em homenagens de reconhecimento ao seu legado de profissionalismo e compromisso com a saúde comunitária. Não passou pela vida em vão. Seguiu os princípios éticos do juramento do sábio Hipócrates: “Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens”. Assim é.

Welton nasceu em Canguçu (RS) e faleceu em Porto Alegre (RS), aos 79 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela amiga e paciente de Welton, Valderez Ferreira Campão. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Bettina Turner, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 8 de outubro de 2020.