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Ada de Almeida Laurenti

1930 - 2020

Era uma mulher forte, com muita fé em Deus, vontade de viver e um amor imensurável pela família.

Mulher de garra, nutria um amor enorme pela família. Suas Bodas de Ouro foram celebradas em 2000 e ela pôde novamente se casar no religioso. Amou demais o marido, agora já falecido, e teve oito filhos, mas dois deles partiram ainda bebês. Apesar de todas as dificuldades, foi sua fé em Deus que a fez seguir em frente.

"Era bastante dedicada aos netos e era minha madrinha e avó, muito amada por mim e pela família toda. Era exigente, mas possuía um coração enorme e era bem carinhosa. Amava contar histórias sobre sua vida, como enfrentou as dificuldades que passou, e sempre falava do seu grande amor, meu avô... de como se conheceram e como foi o início da vida deles", conta a neta e afilhada Karina.

Ada contava que seus avós vieram fugidos de Portugal. Ele era um rico fazendeiro e ela, uma escrava da fazenda. Eles se apaixonaram e fugiram para o Brasil de navio. "Sempre quis ir a fundo nessa história, mas era complicado, pois não havia documentos deles... não conseguimos investigar", relembra Karina.

Ela gostava muito de comer doces. Ao final de cada refeição, pedia "algo para adoçar a boca", conta a neta, que considerava isso como uma mania da avó. "Havia sempre algum docinho em sua casa. Quando ia à casa dos filhos, todos faziam um doce para agradá-la. Seus preferidos eram os caseiros: figo, abóbora, mamão... E quando não tinha doce, pegava uma colher de açúcar mesmo!"

Ada era bastante vaidosa, gostava de estar sempre bem-arrumada. "Mesmo para ficar em casa, estava sempre arrumadinha. Vivia passando cremes, e quando acabava de tomar banho, a casa inteira ficava perfumada, de tanto creme que ela usava", recorda Karina.

O sonho de Ada era morar em uma vila, com todos os filhos e netos por perto. Sempre gostou dessa proximidade. A neta lamenta: "Infelizmente, ela não pôde receber visitas no hospital em seus últimos dias, mas estávamos todos com ela, em pensamento e orações. Amo minha avó... Ela estará para sempre em meu coração e no de toda a família".

Ada nasceu em Igarapava (SP) e faleceu em Ribeirão Preto (SP), aos 90 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela neta e afilhada de Ada, Karina Laurenti Dovicchi Silveira. Este texto foi apurado e escrito por Lígia Franzin, revisado por Paola Mariz e moderado por Rayane Urani em 16 de novembro de 2020.