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Adipe Miguel Júnior

1951 - 2020

Envolveu as pessoas ao seu redor com o abraço mais acolhedor do mundo e dedicou sua vida ao amor.

“Logo estaremos juntos para celebrar o amor de Deus para conosco”, essa foi sua última mensagem ao sobrinho, em mais uma lição sobre fé, compromisso e amor.

Jesus Cristo era sua maior inspiração. Não à toa, sempre demonstrou serenidade, pois sabia confiar o coração nas mãos do divino. “O que Jesus diria disso?” era o seu melhor conselho. Essa frase sempre fazia seus sobrinhos refletirem sobre a importância sobre dois de seus mais valiosos ensinamentos: fé e compromisso. Não o compromisso com uma denominação específica, mas com o estilo de vida que Jesus pregou quando veio à Terra. Adipe jamais esqueceu que esse estilo de vida se chama amor.

Espirituoso como era, jamais lidou com os problemas da vida de cara amarrada. Seu bom humor era tanto, que até mesmo idealizava seu ritual de velório. Pedia para que, quando esse dia chegasse, seu filho ficasse ao lado de seu caixão, dizendo-lhe os nomes das pessoas que viessem prestar sua última homenagem a ele.

Até porque "homenagem" era uma palavra importante para esse senhor alto, de cabelos grisalhos e enroladinhos, cujas feições ressaltavam sua ascendência libanesa por parte da avó Caltum. Sempre tentou honrar as pessoas que amava, de familiares e amigos até os desconhecidos. “Nossa, se eu soubesse que era para vir bonita assim, teria me vestido melhor!”, dizia ele quando elogiava a esposa, a filha ou as sobrinhas e amigas. Talvez por isso, ele fizesse questão de saber os nomes das pessoas que compareceriam ao seu velório para dizer adeus.

Pai, avô, irmão, tio e amigo, seu Adipe Júnior envolveu as pessoas ao seu redor com o abraço mais acolhedor do mundo e dedicou sua vida ao amor.

Infelizmente, ele não pôde ter o funeral que queria. Deixou a família numa data simbólica, a Páscoa cristã. Na Terra, momento de celebrar a ressurreição de Jesus Cristo e o triunfo da vida sobre a morte. Para Adipe, foi o momento de retornar aos braços do Criador.

Adipe nasceu em Botucatu (SP) e faleceu em São Paulo (SP), aos 69 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelos sobrinhos de Adipe, Natália Miguel Blanco e Pedro Miguel Campos. Este tributo foi apurado por Viviane França, editado por Letícia Fortes, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 15 de junho de 2020.