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Adriano de Barros Silva

1978 - 2020

Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer hoje.

Adriano foi uma pessoa de bem com a vida. Cheio de planos. Em janeiro de 2020 foi para Pernambuco fazer um plano de negócio. Voltou de lá esperançoso, pronto para trabalhar. Sonhava em voltar para Pernambuco e construir seu negócio.

Em 23 de março sentiu febre, que ia e voltava. Passou a semana assim. Em 28 de março estava indo para o trabalho e começou a sentir os sintomas respiratórios. Trabalhou o dia todo. Quando saiu, foi para o hospital e me ligou para a esposa dizendo que estava internado. Ele pediu para que ela não fosse até lá, pois estava em isolamento e com dois filhos pequenos, estava preocupado com a saúde deles. Permaneceu internado, preocupado, mas esperançoso.

Ligou para sua esposa em 30 de março e disse: "Meu amor, eu não acredito que já passei por tanta coisa nessa vida e vai ser uma Covid que irá me matar." Ela duvidou, falou dos exames e pediu para ele ter calma.

Em 02 de maio, Adriano transferido para o hospital de Parelheiros em coma induzido e em 04 de maio para Emílio Ribas, pois o vírus já havia afetado seus rins. Passou por hemodiálise. Infelizmente, ele não resistiu.

Sem poder se despedir, o último contato de sua esposa ficou na memória: 26 de março, quando ele a buscou no trabalho. Neste dia, Adriano disse que mesmo que fosse a última vez, iria me deixar sua esposa em casa, mas não iria ver as crianças para não contaminá-las. Assim ele fez. Houve um último contato por telefone e uma última chamada de vídeo, antes de ir para UTI.

A Covid-19 levou o Adriano para sempre, sem que a família pudesse de despedir como ele merecia.

Adriano nasceu em Limoeiro (PE) e faleceu em São Paulo (SP), aos 42 anos, vítima do novo coronavírus.

História revisada por Rayane Urani, a partir do testemunho enviado por esposa Zilda, em 3 de maio de 2020.