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Allison Diego Nascimento dos Santos

1985 - 2020

De apelido Limão, era o melhor amigo para fazer loucuras junto.

Alisson ganhou o apelido de "Limão” porque, segundo seu melhor amigo Igor, tinha a cabeça grande e redonda. Eles se conheceram em 1994, quando tinham 5 anos de idade, e mantiveram um forte laço de amizade por toda a vida. Da adolescência, uma das saudosas lembranças é de quando “maratonavam” filmes, momento chamado “maratona do macaco louco”, ainda nos tempos do videocassete. Certa vez, alugaram a trilogia “Senhor dos Anéis”, uma das favoritas na época, e assistiram aproximadamente das onze da manhã à meia-noite.

Limão era tricolor e amava a camisa 7. Gostava de pingue-pongue e de fliperama e o seu jogo preferido era “The King of Fighters”, que jogou interagindo com pessoas de vários países, exercitando seu inglês, aprendido de forma autodidata. Também tocava violão e algumas das músicas que marcaram a época de quando tocavam juntos eram: “More Than Words” (Extreme), “Wherever You Will Go” (The Calling) e “Accidentally In Love” (Counting Crows).

Com um grupo de amigos próximos, na juventude formaram o “Quinteto Fantástico”, que se reunia para momentos únicos de brincadeiras, típicas de uma idade e um tempo que já passaram. "Em um Natal que a gente não tinha nada para fazer, ficamos um olhando para a cara do outro e daí a pouco o Allan e outro amigo pegaram os carros dos pais. Fomos para rua brincar, achamos um colchão velho e colocamos em cima do carro. Eu fui em cima do carro, no colchão, a esposa do Allan grávida, saímos zoando e gritando pela rua", relata Igor. Eram tempos de muita zoação, vídeos, escorregões no quintal e até desastres domésticos, como a quebra acidental de uma pedra de mármore, na casa da família de Allison.

Inteligente e dedicado, Limão fez um curso de montagem e manutenção de microcomputador e, “muito crânio”, esforçado e sagaz, se desenvolveu rapidamente. A propósito, era grato ao amigo pela indicação de fazer o curso gratuito e crescer profissionalmente a partir disto. Seguiu na carreira de informática e por dez anos trabalhou na mesma empresa familiar. Para ele, não tinha tempo ruim. Comprometido, não faltava ao emprego, nem mesmo quando doente.

"Limão sempre foi um cara tranquilo, muito focado e, às vezes, até um pouquinho ranzinza, mas apto a aprender sempre", diz Igor, e prossegue: "Ele também era um pouco misterioso, uma incógnita, às vezes a ponto de ajudar muitas pessoas — sem anunciar ou compartilhar absolutamente com ninguém."

Também era dedicado e cuidadoso com o bem-estar da família. Casado com Fabiana Albuquerque, Allison era pai da pequena Imê e tinha dois amados enteados, Pedro Henrique e Jennifer. Além disso, seguia preocupando-se com os pais, Valéria e Luciano, e todo domingo fazia questão de ficar próximo, "mantendo a essência de filho e marcando presença". Para tal, costumava ir à feira comer pastel e tomar um caldo de cana.

“Deixou tudo de bom e de melhor que poderia nos 34 anos de vida que teve. Foi um grande amigo, parceiro que virou um irmão e que sempre será lembrado como o eterno Limão. Ao lado de Deus, verá o mundo lá de cima e seguirá nos ajudando dia a dia. Muito obrigado, mano Allison Limão. Te amo”, resume o amigo Igor.

Allison nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 34 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo amigo de Allison, Igor dos Santos Cardoso. Este tributo foi apurado por Julia Santos, editado por Manuela Bravo, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 3 de julho de 2020.