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Amadeu Marques Caldeira

1942 - 2020

Solidário e solícito, seu Amadeu era o faz-tudo na vizinhança, o típico sujeito gente boa.

Engenhoso como era, quando não estava consertando algo na casa de alguém, seu Amadeu estava no seu lugar preferido do sofá vendo televisão ou na igreja.

Teve uma vida dura. Conheceu a pobreza extrema desde muito cedo. Órfão de pai, foi deixado em um internato pela mãe, que não tinha condições de criá-lo. Acabou fugindo do orfanato e voltou a viver com a mãe e a irmã, em uma casinha de paredes de barro, infestada de barbeiros, onde todos foram infectados pela doença de Chagas.

Pouco favorecido, tinha tudo para seguir no caminho da criminalidade, mas, ao contrário, escreveu uma história linda de vida, pautada por caráter, trabalho árduo e nome limpo, do qual sempre teve muito orgulho.

Sempre reservado e avesso às festividades, fugia de aglomerações e reuniões sociais. Encerrou sua passagem pela Terra com a mesma discrição: sem velório, coroa de flores ou discursos.

Não acumulou nada de material. Não era seu objetivo. Deixa, porém, um legado imaterial de valor incalculável para três filhas e quatro netos, além de uma história de muita força, de quem nunca negou ajuda a quem necessitasse.

Amadeu nasceu em Montes Claros (MG) e faleceu em Sumaré (SP), aos 78 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Amadeu, Cristiane Caldeira. Este tributo foi apurado por Malu Marinho, editado por Mariana Coelho, revisado por Paola Mariz e moderado por Rayane Urani em 1 de junho de 2020.