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Amâncio Ikõ Munduruku

1960 - 2020

Amigo de fé, irmão camarada e líderança de tantas jornadas.

“Amigo de fé, irmão camarada”, era um verso que Amâncio sempre cantava quando tinha multirão na aldeia. Era brincalhão, ponderado, de fala mansa, mas também um grande líder, que sabia lutar na hora certa.

Uma vez aconselhou sua sobrinha, Alessandra Korap, a pensar como o jabuti: ter calma para conseguir vencer. E foi assim que Amâncio batalhou pelas causas do povo munduruku. Foi peça chave na demarcação de territórios do Médio Tapajós. Teve papel importante na construção da Associação Indígena Pahihi’p e no sistema de ensino na região.

Hoje o povo munduruku chora a perda de um importante guerreiro.

Amâncio deixa saudade e também uma herança de muita sabedoria.

Os munduruku, também conhecidos como Caras-Pretas, vivem no sudoeste do Pará, no leste do estado do Amazonas e no oeste do estado do Mato Grosso. Têm uma população de cerca de 14 mil pessoas, distribuídas em aproximadamente trinta aldeias. Além do português, falam munduruku.

Amâncio nasceu na Aldeia Uburuba (PA) e faleceu em Belem (PA), aos 60 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela amiga de Amâncio, Aldira Munduruku. Este texto foi apurado e escrito por Giovana Madalosso, revisado por Lígia Franzin e moderado por Gabriela Veiga em 18 de junho de 2020.