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Amir Soares Barbosa

1963 - 2021

Chegava em casa buzinando sua motinha, uma maneira ímpar de demonstrar sua afetuosidade.

Amir dedicou sua vida ao trabalho, possuía mãos ásperas e grossas que carregavam o orgulho de cada morada que levantava. Observava cada detalhe e mostrava aos amigos e familiares as casas que ergueu ao andar pelas ruas "essa casa, o pai que fez". Pela cidade há um toque do Sr. Amir em cada canto.

Vindo de família simples, seu pai também foi pedreiro e Amir começou a segui-lo em sua profissão aos 14 anos. Conheceu sua esposa aos 18, sempre ia de moto buscá-la no trabalho e a incentivou a fazer magistério, pedagogia e até pós-graduação.

Aprendeu com sua filha mais nova a ser carinhoso e todos os dias coçava seu pé até que ela adormecesse. "Lembro que quando ele me levava na escola, no ensino médio, sempre me deixava e me dava um beijo no rosto. Teve um dia em que estávamos brigados, e eu não quis dar o beijo, então ele se queixou com a minha mãe dizendo que — Mirinha (era assim que ele me chamava), fez pirraça, e não deu o beijo" relembra a filha.

Amava uma boa conversa e todo domingo ia à feira e dava um passeio em sua moto. Sua volta para casa era ímpar: buzinava anunciando sua chegada e com a voz grave chamava a todos, "Negaa.." (para a esposa); "Mirocaa.." (para a filha).

Foi querido por todos, era sempre sorridente, brincalhão e de bem com a vida. Fez muito por sua família, concluiu sua missão.

Amir nasceu em Barretos (SP) e faleceu em Barretos (SP), aos 58 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado Filha de Amir, Tamiris Horiquini Barbosa. Este tributo foi apurado por Larissa Reis e Ana Helena Alves Franco, editado por Mariana Nunes, revisado por Bettina Florenzano e moderado por Rayane Urani em 24 de setembro de 2021.