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Ana Midori Yonezawa

1948 - 2020

Só era preciso chegar em sua casa, que seu sorriso iluminado já se abria e se tornava a melhor companhia.

Como uma boa anfitriã, Ana “fazia questão da casa cheia aos finais de semana”. Tal como sua casa, era o seu coração. “Não teve uma pessoa sequer que ficou de fora do seu coração”, afirma a sobrinha Ingrid.

Era um coração de mãe, e olha que “nem foi preciso ter filhos de sangue para isso, todos a consideravam uma verdadeira mãe”. A sobrinha ainda lembra: “nós todos éramos seus filhos, assim ela dizia”.

Ana fazia amigos por onde passava. Sempre atenciosa, “perguntava como estava cada pessoa que conhecia”. Ingrid diz que não fazia qualquer distinção, ela “era assim com todo mundo, foi com meu pai, com meus tios e tias, minhas primas e com seus irmãos”.

Certa vez, conta a sobrinha, “quando ficávamos juntas durante as minhas férias escolares, eu era bem pequena, ela me colocava naqueles triciclos ‘tico tico’ e saíamos perambulando de um lado para o outro pelo bairro. Lembro que eu saía em disparada, dando ‘bom dia’ para todo mundo que eu via, porque eu sabia que ela era querida e conhecida por todos”.

Companheira para todas as horas, Ingrid narra a parceria com a tia: “a gente fazia feira juntas, cozinhava, jogava baralho, brincava, conversava, ia na Federação, fazia reiki, eu aprendia tanto com ela”, exclama a sobrinha que conclui: “acho que nunca conheci alguém que sabia entregar tão bem o amor”.

Como todo mundo tinha lugar em seu coração gigante, Ana também ocupou um lugar especial nos corações de todos, os quais sentem a sua partida. Como se ela levasse um pedaço de cada um junto consigo, mas deixasse a felicidade pelo privilégio em ter dividido os almoços de família, os conselhos, a sabedoria, a espiritualidade, o amor, todos os momentos da sua vida. Mesmo assim, Ingrid encerra: “que falta que você faz, tia”.

Ana nasceu em Ribeirão Pires (SP) e faleceu em São Paulo (SP), aos 72 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela sobrinha de Ana, Ingrid Tchordach. Este tributo foi apurado por Lígia Franzin, editado por Rosimeire Seixas, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 20 de setembro de 2020.