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Antônio Alberto Viana

1954 - 2020

Apreciava uma boa prosa e um bom vinho, para poder falar da vida e sonhar.

O Beto era agregador, radiante. Amava estar rodeado de pessoas, festejando a vida, conversando e dividindo a alegria.

Um grande exemplo disso é o futebol que ele organizou religiosamente por mais de 20 anos todo domingo - seu carinho pelo jogo era enorme, fazia questão de que a bola sempre continuasse rolando com o tradicional churrasco da quadra no final, em que todo mundo celebrava junto.

Pai de quatro filhos amados, tinha muito orgulho deles e também de seus queridos netos. Preocupado com todo mundo, queria estar sempre presente. Ser paraquedas quando alguém estivesse prestes a cair. Era um paizão e também um avô amado, um tio querido.

Mas nem só de gente gostava o Beto, ele também era fã de animais. Tinha sempre muito bicho em casa: era gato, cachorro e até tartaruga. O último a integrar a casa do Beto foi o Brown, um vira-lata lindo que se tornou o xodó dele - e que deu um susto quando escapou de casa, mas felizmente voltou.

A voz de Beto jamais será esquecida.

Testemunho enviado pelo sobrinho de Antônio, Danilo Viana. Este tributo foi apurado e escrito por Jornalista Roberta Figliolino e revisado por Didi Ribeiro.

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Soube ser correto e justo. Acreditava na lei da colheita. Fez o bem, portanto colheu a melhor das virtudes: o amor.

Antônio migrou com os pais e irmãos para São Paulo quando tinha apenas 6 anos. Por falar em amor, Antônio teve a sorte de conhecê-lo pessoalmente, 5 anos depois, na escola. O baiano descobriu que o amor não era apenas um sentimento: o amor tinha nome, sobrenome e endereço. Se manifestava em uma das mulheres mais belas e generosas que já vira na vida. Foi exatamente com ela que ele decidiu se casar. Juntos tiveram quatro filhos, dois meninos e duas meninas.

Ele trabalhou bastante. Fez de tudo para sustentar e oferecer o melhor para a sua família. Felicidade, para Antônio, era simplesmente presenciar a alegria dos seus.

Não percebia boniteza alguma na inércia. Gostava de conversa e ser ativo. Adorava jogar bola e torcia pelo Palmeiras.

Encontrava-se na natureza, nos bichos, na chácara. Ele construiu sua casa no campo pensando no divertimento e bem-estar dos familiares.

Partiu e deixou netos, filhos, esposa, mãe, irmãos, amigos, cachorro e gatos. Apesar da dor e da ausência, ele sempre fará parte de nós e estará presente em corações e memórias.

Antônio nasceu em Rio de Contas (BA) e faleceu em São Paulo (SP), aos 65 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Antônio, Erika Bernardo Viana. Este tributo foi apurado por Samara Lopes, editado por Vitória Freire, revisado por Didi Ribeiro e moderado por Rayane Urani em 28 de maio de 2020.