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Antônio Gomes Filho

1950 - 2020

Profissional dedicado ao trabalho, era teimoso e gostava das coisas do seu jeito.

Homem honesto, bem-humorado e brincalhão. Extremamente batalhador, tinha uma ambição saudável que o impulsionava na crença de sempre conquistar algo a mais. Tinha semblante carrancudo e um jeito meio durão, mas para quem o conhecia mais de perto, o coração generoso de Antônio não era segredo. Ele admitia ter alguns defeitos, mas seus amigos são categóricos em afirmar que suas qualidades eram superiores. Não se deixava acomodar e, de forma honrada e grata, abraçou as oportunidades de trabalho que lhe surgiram na vida. Amava dançar forró e o fazia de um jeito bem engraçado e autêntico; tanto é, que foi admirado e imitado por muitos outros dançantes.

Conheceu sua esposa Neusinha, namoraram e logo ficaram noivos. Ele viajou para trabalhar em São Paulo e ela ficou à sua espera. Casaram-se assim que ele retornou e logo depois seguiram juntos para Barreiras. Sempre dizia: "A Neusa é a mulher da minha vida e eu não a deixo por nada”. Antônio faleceu poucos dias antes de sua esposa, na mesma semana.

Pai de três filhos: Gleyson, já falecido, Glênio e Miriam. Nos momentos de descontração, tanto em casa com a família quanto com os amigos, era uma pessoa super extrovertida. Sempre proporcionou o melhor a seus filhos, oferecendo-lhes oportunidades para que estudassem. Seus familiares espelhavam-se em sua conduta e exemplo.

Era pai, esposo e avô cheio de ternura. Contudo, desempenhou esses papéis de modo controlador, porque gostava de ter todos por perto, preferencialmente, seguindo seus passos. Até mesmo dos filhos mais velhos, aqueles que já são pais e mães de família, Antônio gostava de permanecer perto, observando, aconselhando e aplicando 'puxões de orelha' caso fossem necessários. Mas esse jeito severo, jamais permitiu que um ente querido ficasse desamparado.

Esmerava-se na atenção e cuidado com os netos, tratando-os como filhos, e muitas vezes tomando para si a responsabilidade em educá-los. Tinha um amor imenso por seus netos, envidando todo o esforço necessário afim de prepará-los para a vida profissional. Eram netos de gerações diferentes e os mais novos desfrutaram da melhor fase "avô" dele. Em seus momentos de folga, Antônio descontraía-se na companhia dos netinhos que carinhosamente o chamavam de vovô.

Presença constante ao lado de sua prole, adotava um estilo paterno "linha dura", orientando seus filhos a trabalharem desde muito cedo. Era bastante sério e dedicado no trabalho. Ele concluiu o nível médio de ensino, que à sua época era acrescido da formação profissionalizante de Técnico em Administração de Empresas. Foi certificado pelo Projeto Rondon em Mestre de Obras.

Sempre gostou de ajudar as pessoas, motivo pelo qual ingressou na vida pública em 1988. Por onde passou deixou saudades, a exemplo dos times de futebol dos quais foi presidente ou fez parte da diretoria. Deixou saudades também nos grupos culturais que apoiava. Por ser um patrão justo, foi sempre bem quisto por seus colaboradores e pelos amigos que fez ao longo da vida. Todos sabiam que podiam contar com ele.

Antônio Gomes Filho se foi poucos dias antes de sua esposa, Neusa Torres Mesquita Gomes, cujo tributo encontra-se registrado nas páginas deste Memorial.

Antônio nasceu em Cratéus (CE) e faleceu em Barreiras (BA), aos 69 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela neta de Antônio, Glenda Mesquisa Rodrigues Gomes. Este tributo foi apurado por Daniel Ventura Damaceno, editado por Ricardo Henrique Ferreira, revisado por Maria Eugênia Laurito Summa e moderado por Rayane Urani em 16 de outubro de 2021.