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Antonio Pereira de Brito

1934 - 2020

Um sanfoneiro arretado que amava dirigir e... tirar um cochilo durante o sermão das missas de domingo.

Brito, como gostava de ser chamado, era um cearense de nascimento e piauiense de coração. Era um sujeito cheio de prosa!

Era sanfoneiro, adorava a sanfona cearense. Foi para Teresina com sua sanfona debaixo do braço e lá constituiu família. Trabalhou como taxista por uns tempos e depois foi para a EMATER – Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Piauí, onde trabalhou até se aposentar. Também gostava de ir à missa aos domingos, onde sua maior mania era exposta e aproveitada com satisfação por ele, sempre: era lá, na hora do sermão, que Brito tirava o seu "cochilo especial", e depois dizia: "Não tem como evitar! É o melhor sono!"

Gostava de dizer "Ô véi duro!" e tinha o hábito de brincar, de não esquentar com nada! "Certa vez, louco por sanfona como era, trocou sua bicicleta por uma sanfona. Dias depois, já atrasado para o trabalho e com uma chuva persistente, perguntou para a esposa: "E agora? Como é que eu vou?" Mais que depressa ela respondeu: "Monta na tua sanfona e vai... Tu chega lá já, já!", conta Soraia, a filha que ainda se diverte ao se recordar desse episódio engraçado da vida de seu pai.

No trabalho, Brito era um excelente funcionário e adorava o que fazia. Trabalhou como motorista da diretoria e era considerado um funcionário muito bom. A filha conta: "Ele era assíduo, responsável e dava a vida pela Emater - aquele trabalho era a cara dele".

Sonhava em construir sua casa e, graças a Deus, conseguiu. Gostava de ir visitar o estado natal de vez em quando, mas não passava muito tempo por lá, mesmo se autodenominando "metade cearense e metade piauiense". É que ele sentia falta de sua casa, de sua rede, onde preferia ficar e dormir sossegado.

Descanse em paz, Brito! Tomara que haja muitas redes preguiçosas para você se deitar e se deleitar com seus gostosos cochilos aí no Céu!

Antonio nasceu em Santana do Acaraú (CE) e faleceu em Teresina (PI), aos 85 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Antonio, Soraia Cláudia Costa Brito. Este texto foi apurado e escrito por Lígia Franzin, revisado por Lícia Zanol e moderado por Rayane Urani em 8 de novembro de 2020.