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Aparecida Espina Burghetti

1937 - 2021

Costumava sentar-se embaixo do pé de manga do quintal de sua casa, na rua Mamoré.

Além de costureira, ela era esposa, mãe, tia, avó e a melhor cozinheira da família. "Os almoços em família sempre foram os melhores", conta a neta Júlia. "Ela foi sinônimo de amor, compaixão e bondade".

Aparecida professava a religião católica e vivia para o bem-estar da família. Levou uma vida nada fácil, mas manteve sempre um lindo sorriso no rosto.

Amava as plantas e vivia rodeada de animais, confirmando, de certo modo, a crença pessoal que ela mesma possuía de que os animaizinhos "sabem de onde a bondade vem". Gostava de novela e não perdia o programa do apresentador Silvio Santos. Dormia sentada no sofá e gostava de um fuxico.

Dona Cida, modo pelo qual também a conheciam, amava sentar-se embaixo do pé de manga na doce Rua Mamoré 216. "Ah, doce Rua Mamoré...", suspira Júlia. "Nunca será esquecida por quem passou por esse lar de amor. Lá havia polenta, rabada, cuscuz, o melhor arroz e feijão do mundo e qualquer outro prato que a família e os amigos pedissem". Tudo era servido com muito carinho em uma grande mesa de madeira.

Gostava de bingo e de jogar em loteria — e a sorte para ela era das grandes. Estava sempre às voltas com as amigas e eventos. Possuía inúmeros planos para essa etapa avançada da vida. Uma de suas ideias era "aproveitar para passear em lugares perto da praia".

O marido de Aparecida, o Seu Inácio Burghetti, também faleceu em decorrência da Covid-19, dezenove dias após a esposa.

Em nome da família, a neta declara o imenso amor e a gratidão por todos esses anos felizes vividos ao lado de Aparecida. E obedecendo aos ritos e à fé religiosa que os familiares professam, deseja: "Que ela esteja em paz no descanso eterno ao lado de Deus Pai, Todo Poderoso".

O luto duplo deixou uma saudade imensa. Contudo, Dona Cida deixa um legado em torno do qual seus familiares permanecem unidos, reverenciando a sua memória sublime.

Aparecida nasceu em Adamantina (SP) e faleceu em Foz do Iguaçu (PR), aos 84 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela neta de Aparecida, Julia Burghetti. Este tributo foi apurado por Andressa Vieira, editado por Ricardo Henrique Ferreira, revisado por Maria Eugênia Laurito Summa e moderado por Rayane Urani em 13 de setembro de 2021.