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Arcenio Severiano de Souza

1938 - 2020

Torcedor do Flamengo, amava assistir aos jogos com o neto João Pedro.

Ceno era o apelido carinhoso pelo qual a esposa o chamava. Era a pessoa mais comprometida, profissional, correta, amorosa, engraçada e risonha que o filho conhecia. Tinha uma fala mansa, uma sabedoria impressionante, e um par de olhos azuis que conquistava qualquer um.

Mesmo aposentado, seguiu trabalhando até seus últimos dias. Foram trinta anos na mesma empresa. Depois de tanto tempo de casa, era visto como pai e mestre pelos outros funcionários. Era muito querido por todos na companhia. Um exemplo a ser seguido.

Conseguia integrar qualquer pessoa que fosse. Com seu jeitinho, Arcenio sempre unia todo mundo. Amava passar os finais de semana em família, jogando conversa fora com parentes e amigos. Tinha uma gargalhada alta, e adorava rir assim. Gostava de falar tudo no diminutivo: olha aquele carro novinho! Que casa pequenininha! Uma lindeza de estrelinha!

Todo ano, fazia questão de cobrar do filho Wagner e da nora o seguro do próprio carro. Depois, esquecia e, lá ia ele cobrar novamente. A pequena amnésia era motivo de piada entre ele e o filho. Tinha uma paciência fantástica com as crianças. Sempre dava um jeito de ter tempo para elas. Com os netos, Bruna e João Pedro, Arcenio virava criança outra vez. Flamenguista, adorava ver os jogos do time do coração na companhia do João Pedro.

Perdeu um filho para um acidente de carro em 2005. Enfrentou a perda bravamente ao lado da esposa, Noemia, que tanto amava. Foram casados durante cinquenta e quatro anos. O amor e a cumplicidade que tiveram neste tempo eram lindos. Arcenio sonhava em ver a família e os amigos bem, e com a formatura dos netos João Pedro e Bruna. Desejava que se tornassem pessoas de bem. A formatura, infelizmente não vai dar. Mas mesmo que o vô Arcenio não veja, os netos vão se esforçar. Serão boas pessoas. Tiveram um bom exemplo.

Arcenio nasceu em Vassouras ( RJ) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 81 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo filho de Arcenio, Wagner Tiago de Souza . Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Bárbara Aparecida Alves Queiroz, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 29 de agosto de 2020.