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Areovaldo José Ferreira da Silva

1957 - 2020

Um “meninão custoso” que voava de paramotor e jogava futebol, aproveitando a vida com simplicidade e alegria.

Are ou Ari, como era chamado pelos amigos, era um mineiro de Uberlândia que vivia em Goiânia e exercia o ofício de contador. Casou-se uma única vez, com Leuzimar, de quem era divorciado. Era tão apaixonado pelo trabalho, que até no hospital, em seus últimos momentos, pediu o computador para trabalhar. Os números o encantavam, mas não eram só esses os seus amores.

Ari foi o vô carinhoso do Lorenzo e o torcedor apaixonado pelo Vila Nova. Sua paixão por futebol era exercida na prática: toda semana ele jogava uma pelada com amigos. Era jogador dos bons, um quase profissional! A filha Érica mantém a lembrança do pai esportista desde bem pequena. Ele era muito dedicado aos filhos Érica, Daniela e William, e fazia questão de disciplinar a meninada. “Foi sempre um pai presente, amoroso e bem durão, aquele pai de educação dos tempos antigos, mas que com o tempo foi quebrantando o coração, foi virando um meninão custoso”, lembra saudosa a filha Érica.

A coragem sempre foi uma marca registrada de Ari. Não fugia a uma boa aventura e seu hobby era voar de paramotor nos fins de semana — um jeito todo seu de ver o mundo por outro ângulo. Criativo, amava inventar coisas! Ele mesmo concebia e construía seus inventos e engenhocas, que iam desde a criação de coisas aleatórias até reformas na casa. Estava sempre de bom humor, era muito brincalhão e conhecido por suas piadas — gostava de fazer as pessoas sorrirem.

Apreciava churrascos, e o ponto da carne era sempre sangrando, o que fez a filha lembrar do gosto peculiar do pai por comer carne mal passada.

Ele foi alguém que se dispunha a ajudar ao próximo e era conhecido por ter um bom coração. Gostava de ouvir músicas antigas e de estar sempre em contato com a natureza e com o lado simples da vida. Em um mergulho, eternizado por vídeo, a filha editou a mensagem de áudio do pai, informando que seria entubado e que em três dias estaria de volta. Em seu mergulho profundo, Ari encontrou, do outro lado, a face bondosa de Deus.

Sua memória está eternizada em seus familiares. Em uma mensagem por ocasião do dia do aniversário natalício de Ari, Dika, como chamava carinhosamente a filha Érica, faz um agradecimento: “Hoje, quero agradecer por todos os momentos que tivemos ao seu lado, pelos conselhos que carrego até hoje, pelos ensinamentos de vida e de educação. Obrigada por tudo. Te amo”.

Areovaldo nasceu em Uberlândia (MG) e faleceu em Goiânia (GO), aos 63 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Areovaldo, Érica Ferreira Paniago. Este tributo foi apurado por Larissa Reis, editado por Ana Clara Cavalcante, revisado por Maria Eugênia Laurito Summa e moderado por Rayane Urani em 15 de setembro de 2021.