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Aurelito de Souza Bomfim

1950 - 2020

O guerreiro que morreu no dia de Tiradentes e foi sepultado no dia de São Jorge.

Seu Léo. Léo do Marisco, pescador e rubro-negro fanático! Daqueles que passavam mal vendo os jogos do Flamengo.

Uma de suas filhas, Verônica, também flamenguista, lembra da final da Libertadores de 2019, quando o Mengão foi campeão. O pai ligou para ela e os dois choraram juntos pela conquista. “Pai, obrigada por me fazer flamenguista”, ela disse. “Esse time mexe demais comigo. Eu te amo, minha filha”, ele respondeu.

Mas não era só o Flamengo que mexia com o Seu Aurelito.
Em seu coração enorme também cabiam os passarinhos, as quatro filhas, Viviane, Vânia, Vivian e Verônica, os sete netos e a bisneta.

A infância difícil fez com que ele valorizasse a honestidade e o trabalho, e não deixasse faltar nada para a família. Um homem nobre, que fazia o possível e o impossível para ajudar a todos que estavam ao seu redor, sem pedir nada em troca.

O seu legado e o seu amor viverão para sempre no coração e na memória de todos que o conheceram.

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Era flamenguista doente. Daqueles que passava mal em dia de jogo e chorava com a vitória. Zico era seu grande ídolo. "O meu flamenguista fanático! Quando eu era pequena ele comprou um papagaio, e o ensinou a falar meu nome e a assoviar o hino do Flamengo", conta a neta Mayara.

Ele tinha uma Kombi - "O seu Léo que tem a Kombi". Mayara conta que seu avô sempre a levou e buscou na escola, desde do pré até o ensino médio, com esse inseparável veículo.

Costumava contar a história de como trouxe a irmã da Bahia junto com os filhos dela, deu casa e ajudou a família. Era grandioso de espírito, alma e amor.

Pouco antes de adoecer, ele fez compras para uma família que estava necessitada. Ele era assim, sempre tentando ajudar o próximo e ensinando os seus a fazer o que era certo.

"O cara que sempre esteve comigo se foi. Ele foi entre lutas, entre altos e baixos, mas foi sabendo o quanto eu o amava. Ele foi sabendo que tinha gente lutando junto com ele. É vovô, a luta acabou... Você sempre será lembrado. Resmungão, teimoso, gênio forte... Mas amado demais. Pra todo o sempre! Jamais te esqueceremos! Agora o senhor é a estrela que olha por mim! Fica em paz, meu herói!", despede-se Mayara.

Aurelito nasceu em Salvador (BA) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 70 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelos familiares de Aurelito. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Gustavo Kosha, revisado por Didi Ribeiro e moderado por Edson Pavoni em 18 de maio de 2020.