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Creuza Ferreira de Souza

1948 - 2021

Professora e mãe, em ambas as funções foi uma educadora com brilho próprio.

Creuza precisou fazer valer seu amor pelo conhecimento para alcançar a formação no Magistério. De origem humilde, fez da Educação ponte para o lugar que construiu e ocupou no mundo.

"Contava que muitas vezes ia para escola com o sapato furado, porém bem engraxado. Não tinha dinheiro para Coca-Cola, isso era considerado luxo, mas seu uniforme sempre estava limpo e engomado", fala a filha Adriana, que é quem faz essa singela homenagem a mãe.

Aluna estudiosa e dedicada, formou-se no Instituto de Educação Carmela Dutra, em Madureira, a melhor escola Normal da época. E logo passou no concurso público para a prefeitura do município do Rio de Janeiro. Foi servidora pública por vinte e cinco anos.

Professora, alfabetizava e ajudava crianças a encontrarem, por meio da educação, um caminho. Crianças, que como ela, precisavam ultrapassar as barreiras de uma sociedade desigual.

"Lembro bem da Escola Municipal Alberto José Sampaio, na Pavuna. Muitas crianças foram por ela alfabetizadas e alcançaram lugares expressivos na sociedade", recorda com orgulho, a filha Adriana.

Creuza contava, que seu primeiro salário, foi inteiro entregue aos seus pais, para comprar as coisas que faltavam em casa. Só depois foi fazendo seu enxoval até casar.

"Pensando hoje no dia da mulher, minha mãe foi uma grande mulher no seu lugar de influência. Foi a primeira mulher de sua família a alcançar o nível técnico, teve seu emprego, salário. Por isso podia assumir com seu marido a provisão de seu lar. Amou, cuidou e educou seus três filhos. Amava também seus quatro netos, era chamada de "vovózona". Andava junto com seu marido em todas as suas conquistas", fala com admiração da mãe, a filha Adriana.

Outra paixão, além de plantas e animais, era cozinhar. Fazia deste ato uma espécie de "linguagem de amor". Enquanto cozinhava, declarava amor aos filhos e netos. Dizia "eu te amo" fazendo sopinha, doce, aquele lanche que só ela sabia fazer. Usava como temperos, amor, cuidado, carinho e amizade.

Adriana termina essa homenagem falando com ternura, "Minha mãe foi uma mulher incrível. Amou e foi muito amada por todos. E me fez entender que a educação abre portas. Que a mulher pode fazer, ser e estar onde ela quiser. Uma mulher pode, se quiser, fazer como ela fez, cuidar do seu lar e também ter uma profissão. Que um livro na mão é primordial para o conhecimento, mas acima de tudo, nos ensinou que a oração move o coração de Deus. Sentiremos sua falta todos os dias".

Creuza nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 72 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Creuza, Adriana Ferreira e Souza. Este tributo foi apurado por Ana Helena Alves Franco, editado por Cristina Marcondes , revisado por Ana Macarini e moderado por Ana Macarini em 25 de julho de 2022.