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Dalva Alves da Silva

1940 - 2020

Através da arte e do amor, a estrela D'Alva expressou sua força e alegria de viver.

Quando jovem, ela cantava e encantava nas rodas de amigos ao soltar sua voz grave e marcante. Cantarolava sempre alguma pérola de Cartola, Dalva de Oliveira ou Roberto Carlos, todas inesquecíveis como ela. "Minha mãe tinha uma voz fantástica, linda de verdade!", relata a filha Sonia.

Mas não pense que os dotes artísticos de dona Dalva cessavam por aí. Ah, não! Ela possuía múltiplas habilidades e arrasava nas pinturas em tecido, em gesso e nos artesanatos que fazia com tanto primor.

Ter a casa repleta de familiares era uma das maiores alegrias de dona Dalva. Em geral, as celebrações de Natal, Ano-Novo e as demais festas no decorrer do ano ocorriam ao redor da mesa da cozinha e já causavam ─ com semanas de antecedência ─ um misto de ansiedade e alegria na festeira Dalva.

Foi daquelas avós que puxam a orelha de netos e netas com jeitinho, afinal exerceu esse papel com afinco e dava uma abertura fora comum para as netas ─ que contavam tudo, tudinho para ela. Muitos de seus netos a chamavam de "mãe", assim como as amigas da filha que nutriam por ela um carinho muito especial. Os bisnetos eram sua paixão e a relação com os filhos também era ótima. "Foi sempre muito presente e forte. Quando ela decidia, estava decidido! Ela ensinou aos filhos a ter essa força", afirma Sonia.

Desde criança sua vida foi permeada por muitos obstáculos. A fome e outras dificuldades chegaram a importunar a pequena guerreira já na primeira infância. Ela superou tudo e, talvez por isso, mantivesse sempre um belo sorriso estampado no rosto, mesmo com alguma dor ou desconforto. "Era uma pessoa muito alegre; era muito difícil descobrir quando estava com alguma dor ou problema de saúde. A gente podia até perguntar diretamente, mas ela sorria e sempre fazia uma piada sobre a situação, com o jeitinho dela", relembra Sonia.

Não se importava muito se fizessem algo que a atrapalhasse ou magoasse, mas a devota de Nossa Senhora Aparecida, assim como a mãe de Jesus, defendia filhos, netos e bisnetos contra tudo e contra todos ─ uma verdadeira mãezona.

Leitora fiel de romances de Barbara Cartland, era também uma amante da natureza e das plantas, em especial as orquídeas, suas preferidas. Sempre contava que seu nome havia sido inspirado na estrela D'Alva ─ que nada mais é que o planeta Vênus ─, que remete ao amor que ela sempre soube exalar tão bem a todos que a rodeavam, principalmente ao grande companheiro Dediel durante as seis décadas que juntos compartilharam tantas histórias, alegrias e algumas dificuldades também.

Talvez um dos sentimentos que Dalva, a estrela D'Alva, deixou no coração de cada um dos que tocou com sua gentileza e carinho esteja imortalizado naqueles versos antigos de Noel Rosa e Braguinha: "Meu coração não se cansa, de sempre sempre te amar". "Ela estará brilhando para sempre!", finaliza Sonia.

O marido de Dalva também foi uma das vítimas da Covid-19; você pode conhecer um pouco da história dele acessando a homenagem para Dediel Ruy da Silva.

Dalva nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 80 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Dalva, Sonia Regina Alves da Silva. Este tributo foi apurado por Raíssa Trelha, editado por Lígia Franzin, revisado por Maria Eugênia Laurito Summa e moderado por Rayane Urani em 4 de novembro de 2021.