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Edineia Messias Sinico

1969 - 2021

Dizia sempre que “as pessoas são mais importantes que as coisas”

Edineia nasceu em Jacarezinho, no Paraná, e desde muito nova enfrentou diversas dificuldades, como mudança constante de cidade e ausência da figura paterna.

Teve que sair cedo da escola para poder trabalhar e finalizou os estudos com o supletivo. Quando completou 18 anos, mudou-se para Limeira, estado de São Paulo, onde conheceu seu marido, Rogério, e onde construiu o seu legado.

Seu sonho era ser cabeleireira e para fazer seu primeiro curso precisou vender seu anel de 15 anos. Com o passar do tempo, o seu salão (o Charmant) cresceu e se tornou um dos mais renomados em toda a região.

Colocava Deus acima de tudo e quando perguntavam por que seu salão não tinha o seu nome ela dizia: “ah, porque o salão não é meu, ele é de Deus e não temos diferenças aqui, somos todos iguais”. Ela se colocava como a profissional número 2, porque dizia que o profissional número 1 era Deus.

Onde a Néia entrava, o ambiente mudava, porque ela sempre resplandeceu Jesus e nunca perdia a oportunidade de falar do amor d’Ele. Através de sua vida evangelizou muitas vidas. Ela era assim, não perdia a oportunidade de falar do Senhor, não importava a quem.

Sempre muito humilde, com o coração disposto a ajudar a todos e seus olhos brilhavam ao ver cada profissional que trabalhava com ela crescendo e se desenvolvendo.

Nunca ligava para bens materiais, pois sabia que era tudo passageiro, sempre procurou construir memórias e histórias. A frase que ela mais falava era “as pessoas são mais importantes que as coisas” e quando os filhos erravam, os ensinava a dizer 3 coisas: “eu estou errado, me perdoe e eu te amo”.

Deus sempre foi a base da sua vida, foi Ele que permitiu que uma menina de uma família simples como ela, pudesse conquistar e realizar tantos sonhos.

Seu maior sonho era ser mãe, mesmo ela tendo muito medo, pois não nasceu em uma família estruturada e recebeu o diagnóstico de que nunca poderia ter filhos. Provou ser uma mulher de fé e foi presenteada por Deus com dois filhos, Deborah e Gabriel que se sentem privilegiados em serem seus filhos.

Como diz a filha Deborah: “Ela que sempre colocava os sonhos dos seus filhos em primeiro lugar, mas nunca deixava de estar presente. Quando eu e meu irmão moramos no exterior, ela fazia questão de estar presente, fosse por facetime, seja indo nos ver a cada dois meses. Porque não conseguíamos ficar longe!”

Néia, como era conhecida, era uma doçura em pessoa, sua voz acalentava todos que a conheciam, fossem clientes, profissionais ou membros da família. Era encantador ver o quanto ela amava tudo e sempre se sacrificava pelo bem do próximo. Chegava a ficar em pé durante mais de 12 horas por dia para ver suas clientes felizes, ou acordada durante a madrugada para poder cuidar dos filhos quando estavam doentes. Mal dormia de noite, qualquer horário que você precisasse dela, ela estava online.

Para ela não existia tempo ruim, poderia estar vivendo o maior perrengue, como quando quase ficou presa na Inglaterra numa viagem. Com ela tudo era mais divertido.

Amava andar descalça e ensinou a filha também, além de assistir Doramas ou desenhos infantis, estar com os bichinhos de estimação a Annie, Wendy e Zara. Era uma artista não apenas com cabelos, era talentosa também com artes manuais.

Sempre muito animada, meio bagunceira, mas do jeitinho que encantava a todos. Cozinhava muito bem, mesmo querendo colocar bacon em todas as comidas, mas sua especialidade era o risoto.

Ela sempre amou viajar e teve a oportunidade de conhecer muitos lugares. Foi a primeira pessoa da família a viajar para o exterior, onde sempre buscava ter novos conhecimentos e se profissionalizar ainda mais na sua área de beleza e, embora corresse o mundo, a sua essência nunca mudou. Manteve seu coração puro como de uma criança, era até muito inocente e sempre caía nas pegadinhas que seus filhos faziam.

Deborah é pródiga em falar das memórias e qualidades da mãe: “Ela sempre nos ensinou a ver a situação de outra forma, ver o lado das outras pessoas e brigava se falávamos mal de alguém. Ela não perdia a oportunidade de agradecer, mesmo pelas coisas mais simples do dia, como o nascer do sol ou a beleza de uma flor, as orquídeas de preferência”.

A filha fala de Néia como sua grande incentivadora: “Ela sempre via um potencial em mim que eu nem mesma via, me ensinou a vencer meus medos e aprender a voar. Foi minha melhor amiga, minha conselheira, aquela que impulsionava a todos a se verem na sua melhor versão”.

Conta de seus aprendizados: “Ela ensinou ver tudo com gratidão e sempre prevalecer o amor, porque ele é tudo que nos resta. O hino oficial do salão sempre foi “Te agradeço” que diz: “Por tudo que tens feito, por tudo que vais fazer, por tuas promessas e tudo que és, eu quero te agradecer com todo meu ser. Te agradeço meu Senhor”. E realmente, essa era a música da Néia, em que mesmo em meio às adversidades, agradecia ao Senhor.”

Edineia nasceu em Jacarezinho (PR) e faleceu em São Paulo (SP), aos 52 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Edineia, Deborah Cristina Sinico. Este tributo foi apurado por Rayane Urani, editado por Vera Dias, revisado por Bettina Florenzano e moderado por Rayane Urani em 3 de maio de 2022.