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Eduardo Dias da Silva

1948 - 2020

Se a vida é uma arte, a dele foi uma galeria inteira!

“Meu avô era uma pessoa alegre, muito carinhosa, que fez de tudo para dar educação ao meu pai e a minha tia. Ele foi casado com minha avó Lydia Fernandes Dias da Silva por quase 25 anos, até ficar viúvo.” Assim Valentina, de apenas 12 anos, e única neta de Eduardo, inicia sua narrativa sobre o avô tão querido.

Eduardo, de uma família de oito irmãos, nasceu e viveu no Rio de Janeiro, em Copacabana. Era torcedor "ardente" do Botafogo, gostava de andar pela praia, de viajar, principalmente para Portugal, e tinha uma boa garganta. Suas gargalhadas eram ouvidas de longe, assim como sua voz. Valentina ressalta que o avô era "ruivo, de bochechas rosadas e de sorriso largo". O filho Bruno comenta que o pai “falava muito alto, quase gritando”, que isso era sua marca, mas que nunca ofendeu ninguém.

Bruno acrescenta: “Lembro de meu pai como um homem que tinha muitos amigos, que apreciava a vida, que convivia com muitos artistas, que era muito boêmio. Ele gostava de beber, apreciava a vida, gostava de andar muito arrumado. Eu lembro, quando eu era criança, que ele saía pra trabalhar sempre de terno, muito perfumado”. Depois que ficou viúvo, ele diz, o pai ficou ainda mais boêmio e admirador das mulheres.

Trabalhou no Banerj até se aposentar. Ainda durante sua vida de bancário, apaixonado por arte como era, começou a comercializar objetos e obras artistas locais e se tornou marchand, conta Bruno. A neta Valentina acrescenta que o avô “adorava quadros, ele até tinha uma galeria”.

Para Valentina, o avô era um excelente cozinheiro: “Meu avô fazia um polvo muito bom, gostava de cozinhar frutos do mar e adorava o Restaurante Alfaia, onde faziam um prato de bacalhau em sua homenagem”. O filho Bruno conta, ainda, que o pai gostava muito de uma “boa buchada de bode, de cabrito assado e de reunir os amigos pra uma boa cerveja gelada”. A filha Tatiana conta que ele também fazia uma galinhada como ninguém. E fazia questão da família presente nesses almoços.

Bruno comenta que seu pai “era amado por todos e amava muito seus filhos. Ia sempre a Brasília me visitar e pra ver a única neta, a Valentina”. Tatiana completa, lembrando que nos aniversários ele sempre estava presente, nem que fosse “rapidinho”, mas nunca faltava. A filha comenta: “Meu pai era amoroso, enviava flores para mim sempre que me via triste. Seus cartões estão guardados, pois neles estão, além do carinho, lições que levo para a vida”. Valentina descreve o avô como uma pessoa amorosa, simpática, de bem com a vida e que tudo fez pelos filhos. E completa dizendo: “Eu queria dar um recado para ele: Vô, eu te amo!”

* Tributo enviado por Valentina Vieira Sabino Fernandes, menor (12 anos), com autorização do pai Bruno Fernandes Dias da Silva, que acompanhou todo nosso processo de entrevista e colaborou com as informações durante nossas conversas, via aplicativo de mensagens, com Valentina.

Eduardo nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 72 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado neta de Eduardo, Valentina Vieira Sabino Fernandes. Este tributo foi apurado por Malu Marinho, editado por Sandra Maia Farias Vasconcelos, revisado por Lígia Franzin e moderado por Phydia de Athayde em 26 de setembro de 2020.