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Ely Marcelo Costa da Silva

1982 - 2020

Acordava alegre, transbordando amor. Ele gostava de levar o café da manhã na cama para toda a família.

Ely Marcelo era motorista. Um motorista alegre, extrovertido e generoso.

Adorava fazer piadas e levar a vida na brincadeira, como tem de ser. Às vezes, imitava voz de bebê, sabe se lá o porquê.

Pai do Caio, de 17 anos e da Sara, de 11 anos. Esposo de Vanessa. Ah, como ele amava essa família!

Expressava o cuidado em pequenos grandes gestos. Gostava de preparar e levar o café da manhã, na cama, para toda a família. Café com leite de caixinha, que ele colocava em copos, que antes foram de extrato de tomate. Cuscuz para o Caio, tapioca com queijo para a Vanessa e sem queijo para a Sara.

“Dava para ver e sentir que o prazer dele era fazer a gente se sentir bem. Ele nos amava incondicionalmente”, diz seu amor, Vanessa.

A alma de Ely exalava alegria, brincadeiras, bom humor e piadas de tudo que pudesse fazer. Mal conhecia alguém e já estava fazendo uma brincadeira ou falando um ditado próprio, tinha um modo especial de pronunciá-los.

Amava a família — seus filhos e esposa sabiam bem disso. Tinha muito amor pelos animais e era um grande crítico de injustiças. Nunca dizia um não para quem precisasse de sua ajuda. Carregava o dom da diplomacia.

Foi motorista de ônibus e tinha o sangue sindicalista, em prol dos trabalhadores, correndo em suas veias.

"Um ser humano incrível tu foste aqui, Marcelo! Sempre será lembrado por sua alegria contagiante", diz Vanessa, esposa de Ely.

Ely nasceu em Belém (PA) e faleceu em Belém (PA), aos 38 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela esposa de Ely, Vanessa Lellya Ramos de Souza. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Júlia Palhardi e por Malu Marinho, editado por Raiane Cardoso , revisado por Luiza Carvalho e Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 10 de junho de 2020.