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Eunice Mandu da Silva Garcia

1949 - 2020

Primogênita de oito irmãos, cuidava de todos com carinho maternal, e de quem mais precisasse dela.

Seu esposo a chamava carinhosamente de Nicé e, para todos os outros familiares, era a querida Nice: esposa, mãe e irmã amorosa e dedicada. Mulher devotada a cuidar com imenso carinho de quem dela precisasse.

Foi a primogênita de Sebastiana e Assis, e teve oito irmãos. Aos dezoito anos casou-se com Gamaliel Candido Garcia e, dessa união, nasceram as três meninas Aroldinéia Jaqueline, Arolcinéia Jane e Arolcimara Jeane, e o menino Aroldo Jaques ― que também faleceu por Covid, um dia antes da mãe. Mãe e filho lutaram juntos e bravamente e partiram juntos.

Nice teve dez netos e netas: Alefh, Vinicius, Danilo, Phelipe, Victor, Thiago e Gabriel, Fernanda, Victoria e Gabriela. Teve ainda uma bisneta, Alicia, e foi a sogra querida de Daniel e Adriano (Tchaka).

Nos últimos tempos, ela já estava aposentada, mas desde adolescente, tinha como ofício operar uma máquina chamada "urdideira". Essa máquina, na tecelagem, prepara o fio que vai para o tear e o produto final é o tecido das roupas que vestimos.

Mas nem só do ofício por anos exercido é feita a história de Nice. Há um trecho de uma lida música de Beto Guedes e Ronaldo Bastos que representa bem a milher forte e meiga que ela foi, que cuidava dos filhos, e de quem mais precisasse dela, com amor imensurável. Isso porque "sua maior virtude era gostar de cuidar das pessoas", conta com admiração a irmã Rinamary, que é também quem faz esta singela homenagem. A letra da referica música diz assim: "(...) a abelha fazendo o mel, vale o tempo que não voou".

Nice cozinhava muito bem e não se cansava nunca de "dengar" suas filhas e seu filho com suas comidas preferidas.Também gostava muito de falar com a família pelo WhatsApp, ver televisão, passear e dirigir. Era uma excelente motorista.

Rinamary, irmã caçula entre as meninas, fala da sua forte ligação com Nice contando que, quando adultas, elas foram morar em cidades diferentes; Nice em Valinhos e Rinamary em Americana. E Nice não se cansava de pedir à irmã que se mudasse para mais perto. Esse dia chegou quando Rinamary conheceu seu esposo na mesma cidade em que Nice morava e onde, depois do casamento, passou também a residir. "Foi Nice que cuidou de tudo no meu casamento, foi minha irmã que me vestiu de noiva", lembra com emoção Rinamary.

Ela diz ainda que Deus preparou para que estivessem pertinho uma da outra nos últimos tempos de vida da irmã e que é muito grata a ele por isso. Com ternura, Rinamary fala dos cafés nos sábados à tarde em que fazia tudo que podia para mimar Nice.

A caçula conta que "Nice era a irmã mais velha, por isso, e também por seu jeito tão maternal de cuidar, quando perdemos nossa mãe, talvez eu tenha transferido para ela esse sentimento tão especial de filha. Então, quando ela partiu, me senti um pouco órfã novamente".

Para finalizar este tributo, Rinamary deixa o seguinte recado à sua amada Nice:

"O tempo que passamos juntas, minha amada irmã, foi breve, mas intenso. Eu, suas filhas, genros, bisneta, netos e netas e todos de nossa família, seguiremos aqui com as lembranças repletas de ternura e amor, do tempo que vivemos com você.

Com todo meu amor e saudade,
da sua irmã caçula que também foi um pouco sua filha,
Rinamary".

Eunice nasceu em Colina (SP) e faleceu em Valinhos (SP), aos 71 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela irmã de Eunice, Rinamary Mandu da Silva Oliveira. Este tributo foi apurado por Ana Macarini, editado por Cristina Marcondes, revisado por Larissa Reis e moderado por Rayane Urani em 20 de setembro de 2021.