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Fernanda Caiuby Novaes Salata

1956 - 2020

Pintava na aquarela a imaginação dos seus filhos.

Fernanda tinha um dom muito conhecido pela família toda - transformava dor em alegria. Talvez esse dom viesse do seu coração otimista ou talvez da sua mente criativa e inventiva. Qualquer desafio que fosse apresentado à ela, grande ou pequeno, virava festa e otimismo. Quando teve câncer de mama, venceu com calma e coragem. Dizia que pensamentos ruins, atraíam situações ruins, por isso seu jeito de viver era acreditando. Acreditava nos amigos imaginários de seus filhos quando eram pequenos, desenhava tudo em aquarela. Todas as fadas, gnomos voadores, cogumelos que as crianças viam no jardim, eram eternizados por ela com suas tintas coloridas. Era professora de artes, trabalhou em ONGs em comunidades, mas o que ela amava mesmo era cinema. Proporcionou uma infância cheia de imaginação para seus filhos dentro das histórias dos filmes. Amava dar de presente para a família toda e amigos DVDs do filme "Meu Amigo Totoro", talvez porque seu coração se conectasse com os dois protagonistas, filhos de um professor que tinham um amigo que não se sabe se são imaginários ou não. Era misturando imaginação, realidade, filmes e positividade que Fernanda seguia sua vida de forma leve e sendo uma mestra de como sorrir na cara da dificuldade.

Fernanda nasceu São Paulo (SP) e faleceu São Paulo (SP), aos 64 anos, vítima do novo coronavírus.

História revisada por Gabriela Veiga, a partir do testemunho enviado por filha Julia Caiuby, em 28 de abril de 2020.