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Geneci Givigi Cordeiro

1941 - 2021

Assim era tia Geneci: pouco queria e muito oferecia a toda gente. Seu colo era o lugar mais seguro no mundo.

Esta é uma carta aberta do sobrinho Carlos Eduardo para sua amada tia:

Não tenho palavras suficientes para classificar minha amada tia Geneci. Mãe, esposa, tia, irmã, amiga e sogra, dedicada à família e a quem dela se aproximasse.

Minha lindinha nasceu no interior do estado do Rio de Janeiro e viveu sua saudável infância por lá. Depois continuou sua linda vida no bairro do Botafogo, na Cidade Maravilhosa.

Era aquela supermulher: dedicava a vida ao marido, quase sessenta anos juntos, e à filha. Era alegre, divertida. Nunca vou deixar de me lembrar das décadas de Natal que passamos juntos. Era figura presente e necessária em todos eles. Aliás, ela não era apenas presente, era o presente nos eventos familiares.

Queria o bem a toda gente, sempre prestativa, e fazia um pavê de chocolate como ninguém. Quase todos os dias ligava para saber se eu estava bem. Tia Geneci era bastante apegada a mim, e eu a ela. Quanta saudade!

Faz enorme falta essa guerreira, essa mãe que pouco queria e muito oferecia. Não reclamava de nada, nunca. A felicidade de sua filha era a dela, isso bastava. Estar em casa com meu tio e minha prima era o que bastava para ela se sentir realizada e grata a Deus. Simples, demonstrava sempre que o necessário era ser feliz.

Ela é e será eternamente minha segunda mãe. Te amo e meu amor se estende pelo tempo infinito de Deus. Obrigado, obrigado por tudo, pela minha infância, pelos momentos em que juntos estivemos, por tudo que me ensinou. Minha tia querida, que sua luz possa se expandir na eternidade. Não conheci pessoa mais íntegra do que você.

Parte de mim é você, que foi meu anjo na terra. Amava dormir em seu colo. Como fomos felizes! Você me levou ao colégio na primeira vez e eu fiquei em prantos, lembra? É porque não queria ficar longe de você.

Nunca a esquecerei. Um dia Deus permitirá nosso reencontro. Então, nos abraçaremos outra vez. E hei de presenteá-la com um buquê de rosas amarelas, as suas preferidas.

Te amarei eternamente.

Geneci nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e faleceu em Italva (RJ), aos 79 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo sobrinho de Geneci, Carlos Eduardo Gevegir do Amaral Pinto. Este tributo foi apurado por Lucas Cardoso, editado por Ana Macarini, revisado por Paola Mariz e moderado por Rayane Urani em 3 de junho de 2021.