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Gleidson Cardoso Correa

1984 - 2020

Com sua alegria, admirava as coisas simples da vida.

Gleidson nasceu em Salinas, cidade do litoral paraense, banhada pelo Oceano Atlântico. E gostava muito de praia. Aos 5 anos, foi para a capital – Belém, morar com a madrinha, após a separação dos pais.

Teve uma infância e juventude difícil e sofrida. Trabalhava e estudava para o seu próprio sustento e, posteriormente, o das irmãs também. Formado em Direito, estudou muito para conseguir a carteira da OAB e tão logo a obteve, em novembro de 2018, o garoto das águas resolveu alçar voo e foi morar em outra cidade, agora às margens do Oceano Atlântico – Rio de Janeiro. Da "Metrópole da Amazônia" para a “Cidade Maravilhosa”.

A irmã e a mãe já moravam na capital fluminense e, talvez por isso, Gleidson tinha uma perspectiva de melhora na nova cidade. Já advogado, trabalhava em uma empresa de alimentação, na área industrial do aeroporto do Galeão e estudava muito para passar em algum concurso público.

Com menos de um mês na nova cidade, encontrou o amor da sua vida, Julio Cesar, na praia, com quem viveu momentos interessantes e felizes. “Ele gostava de fotografar, via a beleza em pequenas coisas, desde uma folha de árvore caída no chão. Tinha uma veia artística. Dizia que era um artista involuntário, não sabia o potencial que tinha”, relembra o companheiro com quem morava desde novembro de 2019. Estavam nos planos do casal a oficialização da união estável e uma viagem a Belém, para Julio Cesar conhecer a família; assim que Gleidson entrasse de férias no final do ano de 2020. Infelizmente, não deu tempo.

Ele era uma pessoa do bem, que estava sempre sorrindo e o mantinha a todo tempo, também adorava admirar o pôr-do-sol, como as coisas simples da vida, com o seu 1,80 metro de altura que se tornava grande, um “índio” como seu companheiro o chamava, sua grande paixão junto com suas sobrinhas. “Era visionário, buscava melhorar a vida. Um ser humano muito bacana. Tudo estava bom para ele, nada era ruim. Não brigava com ninguém, contemporizava tudo. Mesmo que a pessoa fizesse algo que contrariasse, tentava contornar a situação. Era contemplador”, recorda Julio Cesar.

Gleidson nasceu em Salinópolis (PA) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 36 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo companheiro de Gleidson, Julio Cesar Victoria Duarte. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Mateus Teixeira, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 12 de setembro de 2020.