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Ilda Nocetti Macias

1946 - 2020

A voz doce que perpassava as salas de aula e alcançava os corações.

Professora louvável, cujas calmaria e suavidade prendiam a atenção dos alunos. Lecionava em escola pública e dedicou a vida a sua profissão, sendo admirada por aqueles a quem ela agraciou com seus conhecimentos.

Excelente também na maternidade e no matrimônio, oferecia um sorriso reconfortante quando recebia seus familiares. Abraçava-os com a mesma força do amor que tinha para dar.

Ô, dona Ilda! Os almoços da senhora faziam parte dessa recepção! E agora, sem seu amor, traduzido no sorriso, no abraço e na refeição, há de seus amados aprenderem a viver.

Sublime a senhora era! Deixou de herança o amor e o conhecimento. Tanto é que os amigos e colegas da escola onde trabalhava lhe prestaram singela homenagem no momento em que seus filhos se despediam de você, cantando em seu nome e fazendo ecoar, mais uma vez, toda a sua ternura.

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A homenagem abaixo, que a filha Brenda faz para sua mãe, inicia-se com os versos de uma das poesias de Ilda:

“Quando eu não mais existir
Procure-me nas flores
Eu serei o perfume daquela que você toca”

Recém-formada, chegou à cidade de Marabá, no interior do Pará, em meados da década de 1970 e, desde então, dedicou-se à educação naquele município, onde trabalhou por 40 anos em uma única escola. Amante de jardinagem, tinha o dom de plantar, adorava cuidar das suas rosas do deserto e das orquídeas, seu quintal era repleto de árvores e plantas.

Exímia escritora de poesias, alimentava há mais de 50 anos o mesmo caderninho, com grandes poesias, cheias de sentimentos e emoções.

Foi uma mulher acolhedora e sempre preocupada com os seus, recepcionava todos com um belo sorriso e estava sempre disposta a dar os melhores conselhos. Determinada, em tudo o que fazia, quando tinha algum objetivo, persistia até alcançá-lo. Católica e de muita fé, era devota de Nossa Senhora de Nazaré.

Apaixonada pela família, mãe de um casal, Brenda e Benedito Filho, foi casada com Benedito Barbosa Macias, o grande amor da sua vida. Quando seu esposo veio a falecer, em 2015, dona Ilda teve que se reinventar, e foi nos netos, Raul e Isabel, que encontrou alegria e sentido para viver.

“Por ter um grande amor à família, minha mãe sempre dava um jeito de reunir todos, em todas as datas comemorativas, principalmente no Natal. Ah... os Natais, nunca mais serão os mesmos... Ela passava meses planejando, escolhendo o cardápio, fazendo lista de convidados e decoração. Era o grande evento do ano para ela e para todos nós — filhos, genro, nora, netos, sobrinhos, irmãs e cunhados, que tínhamos a honra de desfrutar de um ambiente tão alegre e das comidas tão saborosas que ela mesma preparava”, lembra a filha Brenda.

Ilda nasceu em Cambé (PR) e faleceu em Marabá (PA), aos 74 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela sobrinha e pela filha de Ilda, Gene Kelly Macias Primo e Brenda Nocetti Macias. Este tributo foi apurado por Samara Lopes, editado por Diego Eymard e pelo jornalista Lucas Cardoso, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 11 de julho de 2020.