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Joanisse Cerqueira da Silva

1942 - 2020

De riso fácil, tinha a receita perfeita de pães, bolos e para buscar a felicidade dos familiares.

Um dom bem explorado... Era ótima na cozinha e foi então sua profissão durante muitos anos. Teve com o esposo uma padaria e confeitaria. Tinha uma mão mágica para bolos, pães e biscoitos. Mas em família, uma receita marcante era seu nhoque... delicioso!

Joanisse e Moacir construíram uma família com seus quatro filhos: Ana Márcia, Vânia Lúcia, Marcelo e Cláudio. Os filhos amados lhes deram oito netos: Lucianna, Karina, Miguel, Vitória, Ana Cláudia, Vitória, Maicon e Marcelinho. Seu Moacir partiu, deixando Joanisse viúva, mas a neta Lucianna já aumentou a família, e agora sua matriarca conta com outra geração: três bisnetos.

"Tia Joanisse era mais que tia, era minha madrinha de batismo. Lembro-me dela sempre alegre, de riso fácil... Até com coisas mínimas ela dava risadas gostosas. Quando criança, eu, literalmente, brigava para ficar em sua casa", conta Ana Paula.

A sobrinha acrescenta: "Ela sempre se preocupou muito com minha felicidade. Essa era uma característica bem marcante dela: querer bem e querer ver todos felizes. Também tinha um lado reclamão, mas era de vez em quando, e sua reclamação era com o fato dos filhos e netos que estavam longe dela."

Corajosa, Joanisse, foi parar na Itália sozinha para visitar um filho. E seu sonho era voltar à Europa para visitar os filhos e netos que moram em Portugal. Chegou a dizer que iria após a pandemia, mas seus planos foram tristemente interrompidos.

Muito nostálgica, adorava recordar nossa infância. E, falando nesse período bom da vida, é a sobrinha que conta uma história tensa e engraçada ao mesmo tempo, de quando tinha 2 anos: "Fui à praia com ela e meu padrinho e sumi, me perdi deles. Depois de refeito o susto, eles combinaram com meu pai de não contar pra minha mãe, que soube da história apenas quando eu estava com 15 anos."

"Dona", como foi apelidada pelo cunhado Tininho, era vaidosa, gostava muito de se arrumar e nunca dispensava os brincos. Um último momento marcante é narrado pela afilhada: "Foi no aniversário da minha sobrinha, em 2019. Ela estava conosco e, segundo ela, não tinha roupa adequada para ir à festa. Eu e minha irmã compramos roupas e sapatos. Ela se arrumou, passou perfume, fizemos maquiagem e colocamos brincos. Ela ficou linda e muito feliz!"

Ana Paula lembra quando era mais nova, da presença da tia e madrinha em todos os seus aniversários. Depois, perderam contato por um tempo, mas a internet facilitou a reaproximação. A sobrinha é muito grata por isso e demostra em suas últimas recordações:

"Tia Joanisse, agradeço por poder ter te visitado em Vila Velha (ES), pelo tempo juntas em junho de 2019 e pela ligação em videochamada no seu último aniversário. Você não merecia isso, assim como todas as vítimas dessa doença cruel, que nos priva das despedidas. Mas sua alegria não será esquecida, nem seu jeito de dizer: 'Ô, Paula, tá tudo bem.' Seu bom humor era contagiante e, nem nos últimos instantes você se entregou. Foi forte e resistiu bravamente às dores. Seus olhos agora se fecharam, mas, com certeza, seu coração está aberto, como sempre esteve."

Joanisse nasceu em Manhuaçu (MG) e faleceu em Serra (ES), aos 78 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela sobrinha e afilhada de Joanisse, Ana Paula Lucas Mota. Este tributo foi apurado por Denise Pereira, editado por Denise Pereira, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 31 de julho de 2020.