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João Gonzaga de Figueiredo

1946 - 2020

Partiu na manhã de um dia branco, tal como a música que carregava em seu coração.

Era um homem pequeno e valente, todo ‘brabo’ em defender suas opiniões. Trabalhou por trinta e dois anos na mesma empresa, onde chegou até o cargo de Gerente de Engenharia e Manutenção.

Nas horas livres da vida, João gostava de ir ao sítio para conversar com a caseira, ter contato com a natureza, tomar uma cervejinha com os amigos e ficar na presença dos filhos, netos e bisnetos.

E por falar em família, essa é a palavra que mais o descrevia. Protagonista de um laço fraterno, foi casado uma única vez, com Dona Tereza. Os cinquenta anos de amor geraram três filhos: Rita, Luciana e Carlos.

O pai “não media esforços para nos ver felizes. Sempre primou por nossos estudos. Educação era o seu lema! Tinha um abraço aconchegante, de um amor sem fim”, comentam os filhos.

Luciana sorri ao lembrar-se de uma história que ilustra a essência de João: “No aniversário de 2 anos do meu filho, eu fiz a festa na casa dele. Quando chegamos, lá estavam várias crianças da rua, que ele havia convidado. Lembro que na hora fiquei chateada, mas ele queria fazer a alegria da meninada da rua, que foram as primeiras a chegar, a comer e a receber as lembrancinhas... Isso o deixava feliz”.

Sua vida foi assim... Com música e muita alegria. Sua passagem não poderia ser diferente. João partiu na manhã de um "Dia Branco", tal como a canção de Geraldo Azevedo, que tanto amava: "se você vier pro que der e vier comigo... eu lhe prometo o sol..."

João nasceu em Manaus (AM) e faleceu em Manaus (AM), aos 74 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de João, Luciana Sales de Figueiredo. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Júlia Palhardi, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 29 de agosto de 2020.