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José Carlos Marcos dos Santos

1962 - 2020

Zé da Feira, sempre presente nos espetáculos de balé da neta e nas missas de segunda-feira, com a mãe idosa.

A mãe, de 96 anos, nunca mais vai ter a companhia de toda segunda-feira para ir à missa. A neta, de 9 anos, nunca mais vai ter um abraço tão forte como ele dava. A filha não vai ter o pai, que sempre foi “muito junto” dela.

Quase toda a cidade de Barra Mansa desacreditou da perda do conhecido Zé da Feira, que trocou o sonho de ser soldado, para herdar o ofício do pai. Aos 18 anos já havia alcançado, como feirante, a felicidade da casa própria e de um fusca.

Foi casado com Roseli, com quem teve Greycielle e Robson. Depois da separação, viveu por 13 anos com a companheira Roberta. Amava ver a neta Livia dançando balé, assim como jogar bola e ir à praia. Era botafoguense roxo e católico devoto.

O sorriso brilhante destacava-se, assim como o cabelo grisalho e a pele bronzeada. Foi esse sorriso que exibiu, por celular, já no hospital. Deu tchau com as mãos e elogiou a comida que recebia, antes de dizer que amava a filha e ser retribuído. O sorriso foi virar estrela, o xodó e galã da família foi brilhar no céu.

José nasceu em Barra Mansa (RJ) e faleceu em Barra Mansa (RJ), aos 58 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de José, Greycielle Amorim dos Santos. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Priscila Kerche, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 4 de julho de 2020.