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Khalil Ez Zughayar

1946 - 2020

Um Khalil em uma família com três Khalil; filho do Ibrahim, de uma família com três Ibrahim...

Refugiado palestino, Khalil chegou ao Brasil em 1955, aos nove anos. Cedo aprendeu o ofício de mascate, talento quase genético entre os povos árabes. E ele foi exemplo desse talento. Por isso, não tardou a ter seu próprio negócio no Ceasa. Ali nascia uma história de amor.

Era chamado de “Turquinho” pelos companheiros no mercado. Apelido que seu pai Ibrahim, desaprovava. Ao contrário do que pensam alguns brasileiros, árabes e turcos são povos diferentes, ele sabia e, portanto, não aceitava o apelido.

Trabalhou como comerciante de frutas quase a vida inteira, sempre prezando pela satisfação dos clientes. Estar no Ceasa era para ele como estar em seu habitat natural. A arena, onde vencia as batalhas que a vida trazia. Foi lá, possivelmente, em seu reino inseparável, que encontrou o inimigo que acabaria por vencê-lo. Certamente uma luta digna de sua história de resistência.

Tinha por hábito fazer doações a hospitais que tratavam, principalmente, crianças com câncer. Sua maneira de agradecer pela vida e pelas vitórias dessa vida.

Deixa saudosos, com certeza, três filhos, cinco netos e a esposa. Leva consigo a história de seus antepassados palestinos, a quem representou dignamente.

Wadaeaan Khalil

Khalil nasceu em Battir (Palestina) e faleceu em São Paulo (SP), aos 73 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo filho de Khalil. Este tributo foi apurado por Hélida Matta, editado por Hélida Matta, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 4 de maio de 2020.