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Lucila Santana Alves

1943 - 2020

Batatinha gostava de conversar com suas plantas. Viúva, criou os 9 filhos graças ao trabalho na roça.

Ela vivia cada dia como se fosse o último. Amava Deus, suas plantas e flores, seus filhos e futebol. Muito querida, gostava de conversar e sempre tinha um bom conselho para dar. Chamavam-na de Batatinha porque era pequena. Mas só na estatura. Ela era gigante.
Aos 20 anos se casou com Gomercindo. Aos 36, ficou viúva. Criou seus nove filhos com muito suor, trabalho na roça não faltava.

Colecionou netos (23) e bisnetos (8). Honestidade e humildade, coragem e fé eram suas marcas pessoais. Ela tinha prazer em ajudar o próximo. “Qualquer um que chegasse em sua casa, a qualquer hora, ia encontrar comida pronta”, conta a filha Elisa.

A igreja era um compromisso inadiável. Também gostava de participar dos acampamentos organizados pela igreja. “Em um deles, ao mergulhar no lago, sua dentadura caiu. De uma hora pra outra, todos que acampavam estavam caçando sua dentadura na água. Foi muito engraçado”, lembra Elisa.

Tinha gratidão por estar viva. “Mesmo no leito do hospital até seu último dia, minha mãe agradecia a Deus pela vida”, diz Elisa.

Lucila nasceu em Urucurituba (AM) e faleceu em Manaus (AM), aos 77 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Lucila, Elisa Santana Alves. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Ticiana Werneck, revisado por voluntário e moderado por Rayane Urani em 26 de maio de 2020.